Cerca de 200 famílias correm risco de despejo no bairro da Marambaia, em Belém

Segundo os moradores, uma decisão judicial da 2ª Vara Federal de Belém autoriza uma reintegração de posse em favor dos Correios

O Liberal

Cerca de 200 famílias que residem entre as passagens Santo Antônio e Nossa Senhora de Fátima, no bairro da Marambaia, em Belém, correm risco de despejo por conta de uma decisão judicial que autorizou a reintegração de posse da área onde estão localizadas as moradias em favor dos Correios. A ordem foi expedida pela juíza Hind Ghassan Kayath, da 2ª Vara Federal de Belém. Segundo a decisão, o despejo deve ocorrer no prazo de até 60 dias.

Uma assembleia-geral está marcada para a noite desta quarta-feira (2), às 19h, onde serão discutidos os rumos do movimento em defesa da permanência das famílias na área. O encontro deve contar com a presença de advogados e lideranças comunitárias.

As famílias alegam viver no local, que fica próximo à avenida Pedro Álvares Cabral, há mais de seis décadas e dizem que não têm para onde ir. “Os Correios dizem que a terra é deles, eles dizem que têm um documento de 1937. A minha mãe chegou em 1968 aqui, né, para poder tomar posse dessa terra. Ela pegou, eu não sei se foi vendido ou doado para ela na época. Eu vim com três anos para cá. Então, eu tenho 49 anos aqui. Nós estamos com advogados, e o que eles dizem é que esse processo apresenta algumas inconsistências", relata o entrevistador social Patrício Santos, um dos moradores que corre risco de despejo.

VEJA MAIS

image Operação de reintegração de posse desocupa apartamentos em Residencial de Outeiro
Imagens que circulam pelas redes sociais mostram que a operação contou com o apoio das polícias Militar e Federal

image PM é mobilizada para cumprimento de mandado de reintegração de posse no bairro de Nazaré, em Belém
Prédio pertence à Receita Federal e está ocupado por 80 famílias, a maioria jovens

"Amanhã, nós teremos uma assembleia-geral, aonde vai se discutir o assunto. O advogado vai explicar um pouquinho o que está acontecendo. Outras pessoas também estarão engajadas para que a gente tenha forças e possa solucionar esse caso”, complementa. Segundo o representante dos moradores, o número de famílias afetadas é maior do que a quantidade de casas aparentes. “Em termos de casas, são aproximadamente 70, mas, tem famílias que moram nos fundos, outras que moram na frente, e aí a conta passa para quase 200 famílias que correm esse risco”, explica.

A área em disputa, detalha, é triangular e remonta a um passado onde ali passava a estrada de ferro. “É uma área triangular. Então, os Correios têm esse documento alegando que, desde 1937, eles já têm essa terra. Na época, passava aqui a estrada de ferro. E foi nessa época que essa terra foi lembrada. Aí ficou essa parte que os moradores tomaram posse também, que entraram para morar”, conta Patrício.

Questionado sobre a existência de documentação que comprove a posse pelos moradores, ele admitiu que não há títulos de propriedade formalizados. “O que nós temos é a planta de croqui, que foi quando a Codem veio fazer a demarcação aqui”, afirmou.

Ele criticou a forma como a situação vem sendo conduzida. “Eles estão tentando fazer as artimanhas deles para deixar a gente sem saber o que fazer. Todos nós que aqui estamos não temos para onde ir. Moramos aqui porque temos necessidade”, declarou.

A reportagem do Grupo Liberal solicitou um posicionamento dos Correios, mas ainda não houve retorno.

Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Belém
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM BELÉM

MAIS LIDAS EM BELÉM