Entulho ocupa calçada e até espaço de ciclistas em Belém, denunciam moradores

Na manhã desta terça-feira (1º), moradores de Belém reclamaram da grande quantidade de entulho que está acumulada de forma irregular em calçadas e ruas de vários pontos da capital

Dilson Pimentel
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Em várias áreas de Belém, mesmo nos bairros centrais, há acúmulo de resíduos sólidos. É basicamente entulho, mas as pessoas aproveitam para também descartar lixo domiciliar. Além de deixar a cidade feia, e também representar uma espécie de poluição visual, essa sujeira atrai bichos e pode contribuir para a ocorrência de doenças. Muitos resíduos são jogados em vias movimentadas, como é o caso da rua Domingos Marreiros, na esquina com a travessa 3 de Maio, no bairro de Fátima.

Nesse ponto, às margens do canal, havia muitos resíduos na manhã desta terça-feira (1º). Esses materiais ocupam parte da rua. E dificultam, principalmente, a circulação de pedestres e ciclistas. E, como é grande o fluxo de automóveis e motos nessa área, os pedestres precisam andar por esse trecho com muito cuidado, pois o risco de acidentes é grande. Vanusa Silva, 32 anos, trabalha naquele cruzamento, pertinho daquele acúmulo de lixo. Ela é dona de um carrinho de lanche.

“Eu trabalho aqui na 3 de Maio há mais de oito anos. E não tem só esse lixão aqui não. Mas ali (mais adiante, ainda na 3 de Maio) também tem outro lixão”, afirmou. Vanusa disse que o material é descartado nesse local pelo “pessoal da carrocinha”. Na verdade, são os carroceiros - pessoas que, em troca de uma certa importância em dinheiro, recolhem os entulhos das residências e jogam os resíduos na via pública, principalmente às margens dos canais. “Eles jogam tudinho aqui com preguiça de levar lá para o contêiner que tem aqui na 3 de Maio, lá em cima. Eles são cara de pau”, completou, indignada.

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image Vanusa Silva trabalha perto de um "lixão", na rua Domingos Marreiros, no bairro de Fátima: "Olha, eu peguei dengue" (Foto: Carmem Helena/O Liberal)

 

"Eu peguei dengue”, diz vendedora que trabalha perto de um ‘lixão’

Sem lembrar a data exata, Vanusa disse que esse problema iniciou no no ano passado. Começou aos poucos, com uma quantidade pequena de resíduos sólidos, mas foi aumentando com o passar do tempo. Ela afirmou que essa sujeira também prejudica sua venda e, ainda, a saúde das pessoas. “Olha, eu peguei dengue. Aqui a gente trabalha com lanche. Antes, nenhum cliente reclamava de mosca, de carapanã. Mas, agora, já está tendo muito. Sem contar o fedor porque eles também jogam lixo doméstico aqui e não tem quem suporte”, disse.

Vanusa defende que haja fiscalização no local. “A prefeitura deveria multar, fazer alguma coisa para impedir eles de jogar lixo aí, porque está insuportável”, afirmou. Ela acrescentou que, quando os fiscais da prefeitura estiveram naquela área, “eles (quem descarta o entulho) passavam direto”, completou.

O mesmo problema é verificado em vários pontos do também movimentado e populoso bairro da Pedreira. Um deles fica na travessa Angustura, próximo à rua Antônio Everdosa. Nesse trecho, há muito entulho na ciclovia, no espaço que deveria ser reservado aos ciclistas. Até um sofá velho foi deixado no local. E, aos poucos, o sofá avança para o meio da rua. Ciclistas precisam desviar desses resíduos sólidos e também correm o risco de sofrer algum tipo de acidente.

image Na travessa Angustura, próximo à rua Antônio Everdosa, na Pedreira, o espaço reservado aos ciclistas é ocupado por entulho, incluindo um sofá velho (Foto: Carmem Helena/O Liberal)

Na manhã desta terça-feira, Natália Santos, autônoma de 38 anos, passou por esse endereço de bicicleta, levando, na garupa, o filho de 9 anos, que havia acabado de sair da escola. “Isso nos afeta demais. É perigoso”, disse. “Já escapei várias vezes do carro me bater. E esse lixo aqui é todo dia”, contou. Natália afirmou que a população também contribui para esse problema. “Os próprios moradores daqui deixam isso acontecer”, afirmou. Mas ela também cobrou uma atuação mais efetiva e eficaz da prefeitura. “Na verdade, uma fiscalização mais severa em cima dessas pessoas que jogam lixo. Esses carroceiros e os próprios moradores que contratam eles para jogar o lixo na rua”, contou.

Natália falou da dificuldade de levar, na bicicleta, seu filho Pedro Antonio, sempre que vai levá-lo e buscá-lo na escola. “De manhã, mais cedo, esse sofá estava um pouquinho mais para cá (próximo à calçada). Agora já está no meio da rua. E, ontem (segunda-feira), não tinha nenhum lixo aqui”, afirmou ela, por volta de 11h40. Na travessa Lomas Valentina, próximo à rua Antônio Everdosa, mais sujeira na rua. Colchão velho, isopor, sapatos e carcaça de geladeiras são alguns dos materiais que ocupavam, inclusive, parte da calçada. Os pedestres precisavam desviar do lixo para poder continuar andando pela calçada.

image Acúmulo de lixo no canal São Joaquim, na esquina com a rua Mirandinha, no Barreiro (Foto: Wagner Santana/O Liberal)

A reportagem também passou por algumas vias, na tarde desta terça-feira (1º), e verificou acúmulo de lixo no canal São Joaquim, na esquina com a rua Mirandinha, no Barreiro. O morador Luan Lopes disse que essa realidade é contínua e reclamou que entra prefeito e sai prefeito e esse cenário é sempre o mesmo. “Engraçado que, na Doca (avenida Visconde de Souza Franco) e em outras vias de Belém, a realidade não é essa. Agora aqui, no Barreiro, é um descaso só”, reclamou o morador.

Na avenida Padre Bruno Sechi (antiga rua Yamada), na esquina com a rua São Miguel, no bairro do Bengui, também há muito entulho. O morador Alexandre Monteiro reclama que os carroceiros estão acostumados a despejar esses resíduos sólidos na calçada. “Hoje até que não está grande esse entulho, mas, normalmente, fica alto. É um problema preocupante, pois, além de causar sujeira, ainda impede a passagem do pedestre pela calçada”, explicou o morador. 

image Na avenida Padre Bruno Sechi, na esquina com a rua São Miguel, no bairro do Bengui, também há muito entulho (Foto: Wagner Santana/O Liberal)

Nota da Prefeitura de Belém

Em nota divulgada na manhã desta quarta-feira (2/4), a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel), informou que "vai pedir novamente a limpeza da área, mas é importante que a população colabore mantendo o ambiente limpo e denunciando os criminosos descartadores irregulares à polícia.". 

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