Diabetes: como manter a qualidade de vida mesmo convivendo com a doença?

Mudanças de hábitos ajudam a manter a doença, que não tem cura, sob controle

Camila Guimarães
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As diabetes, divididas comumente em tipo 1 e 2, são doenças crônicas causadas por fatores genéticos, biológicos e comportamentais, que costumam gerar complicações para o bem-estar dos indivíduos diagnosticados. Entretanto, com as devidas mudanças de hábito, é possível que pessoas com diabetes consigam manter a qualidade de vida, como no caso do ator da Globo Danton Mello, que convive com a doença há mais de uma década e usou as redes sociais para falar sobre como se adaptou no dia a dia para manter a saúde.

Especialistas destacam que é possível manter a diabetes controlada, seja ela do tipo 1 ou tipo 2. O endocrinologista e presidente da Regional Pará da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Rubens Tolofo, explica a diferença entre as duas variações da doença: "No diabetes tipo 1 ocorre a queda ou falta de produção de insulina, e no tipo 2 - ou mellitus - o organismo cria uma resistência à produção desse hormônio, passando a ser uma doença que se caracteriza pelo aumento dos níveis de glicose no sangue."

Bons hábitos são aliados

Em ambos os casos, hábitos do dia a dia podem colaborar para a piora do quadro, como o sedentarismo, o estresse, alimentação inadequada e em horários irregulares, além do alcoolismo. Por isso, o especialista recomenda o contrário, com ênfase em alguns hábitos necessários que o paciente precisa adotar a partir do momento em que descobre a doença:

"Eu sempre vou defender a prática de atividades físicas diárias. Ou seja, caminhadas, pedaladas, corridas curtas e musculação. Além disso, é fundamental estar com o especialista trimestralmente para controlar os níveis de glicemia e seguir terapias alternativas, com medicamentos específicos e até mesmo dispositivos que ajudam a controlar a doença", ele destaca.

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A adoção dessas práticas torna possível manter a qualidade de vida e mitigar os sintomas da doença, que podem incluir cansaço frequente, muita fome, perda de peso repentina ou muita sede, por exemplo. "Sem dúvida, dormir bem e se alimentar corretamente, mantendo distância de ultraprocessados, carboidratos e açúcares, são formas de controlar a doença. Não se pode curar o diabetes, mas se pode conviver com ele dentro dos padrões de normalidade clínica. Para isso, é realmente importante seguir as recomendações médicas", conclui Tolofo.

Cuidados com a alimentação fazem toda a diferença

Um dos recursos imprescindíveis para controlar a diabetes é uma boa dieta, conforme garante o nutrólogo Tarik Valente. Ele defende uma alimentação rica em proteínas e fibras, com redução de carboidratos e açúcares simples para quem convive com a doença.

"Um consumo exagerado de carboidratos altera a glicemia e atrapalha o tratamento com toda certeza. Às vezes, mesmo usando medicação de bom controle glicêmico, se o paciente não tem uma dieta adequada, não consegue um controle eficaz da glicemia", alerta.

A alimentação balanceada costuma ser eficiente, inclusive, para reduzir a necessidade de medicações, explica o nutrólogo: "O diabético deve ter em mente uma estratégia de tratamento baseada no tripé: dieta, medicação e exercícios. Se um desses pilares falhar, os resultados são prejudicados. Há muitos diabéticos dependentes de insulina, mas com uma dieta adequada, sem os açúcares simples, e praticando atividade física. A dose da insulina pode ser ajustada para doses menores quando comparadas aos que não seguem a dieta e o exercício."

image Controle da alimentação pode diminuir a quantidade de medicação necessária (Foto: Freepik)

A obesidade é um dos principais fatores de risco para o diabetes tipo 2, pois aumenta a resistência do organismo à insulina. Nesse contexto, a alimentação regulada também é importante para o diabético que precisa perder peso. 

A médica nutróloga e diretora do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida - Pará (CBMEV-PA), Camila Moretti, destaca que existem estratégias eficazes para auxiliar no processo de emagrecimento saudável:

"Fazer mudanças de estilo de vida são fundamentais para a perda de peso, como incluir o movimento na rotina do paciente, associando treino de força e aeróbico, o que garante uma melhor resposta metabólica; incluir uma dieta rica em fibras e pobre em açúcares simples, com moderação calórica, ajuda no emagrecimento e na melhora da sensibilidade à insulina; e educação em saúde nutricional e suporte psicológico. Sempre enfatizo que o estilo de vida é dose-dependente, é remédio que não se compra na farmácia", defende.

Moretti destaca que a pessoa com diabetes deve se atentar tanto à qualidade quanto à frequência da alimentação, que também influencia no controle da glicemia. Ela acrescenta a importância de uma prescrição individualizada que leve em conta a realidade de cada paciente.

"A distribuição regular das refeições ao longo do dia, geralmente em 3 refeições principais e 2 a 3 lanches, ajuda a evitar picos e quedas de glicose. Estudos indicam que o fracionamento alimentar está associado à melhor adesão ao tratamento e controle glicêmico. Mas é importante individualizar a alimentação e a frequência ao estilo de vida do paciente e ao acesso à alimentação. Pessoas em vulnerabilidade social têm maior impacto do acesso a alimentos saudáveis e têm menor chance de manter as medicações e suporte de estilo de vida", avalia.

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