Creche em Ananindeua reduz horário e afeta mães que dependem do serviço para trabalhar

O Centro Municipal de Referência de Educação Infantil Marighella deveria oferecer um serviço integral às famílias

Eva Pires | Especial para O Liberal
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O Centro Municipal de Referência de Educação Infantil Marighella, no bairro do Aurá, em Ananindeua, tem liberado as crianças mais cedo do que o previsto, prejudicando mães que dependem do serviço para trabalhar. Duas delas denunciaram a situação à reportagem de O Liberal e relataram que a unidade, que atende crianças de 6 meses a 5 anos nas modalidades de creche e pré-escola, deveria funcionar de modo integral até as 16h, mas, há dois meses, libera os alunos às 11h30.

A contadora Karliane Machado, mãe de uma criança de 1 ano e 5 meses na creche, conta que, no momento da matrícula, a redução do horário foi informada como uma medida temporária, sem prazo definido, pois dependeria da adaptação dos alunos. As aulas começaram em 22 de janeiro de 2025.

"Foi dito que, a princípio, eles iam ficar num horário reduzido para uma fase de adaptação, o que não teria prazo, porque dependia da turma e do andamento das crianças", relembra.
No entanto, ela afirma que as crianças já estão adaptadas, o que não justificaria mais a redução do horário. "A gente percebe, na hora de entregar as crianças, que no começo era um chororô. Mas agora elas já entram sorrindo, eles já estão adaptados", reforça.

Karliane Machado conta que ajustou sua jornada para sair às 16h, com redução salarial, mas precisa deixar o trabalho às 11h15 para buscar a filha às 11h30. Segundo ela, o chefe tem sido compreensivo, mas foi informado de que a situação duraria até março. Entretanto, mesmo com a proximidade do mês de abril, o problema ainda não foi resolvido.

"A gente fica prejudicada, porque temos que sair do trabalho para buscar a criança. Fora que tem mães que pegam, deixam com outra pessoa e têm que voltar pra trabalhar, sendo um gasto a mais com deslocamento. Eu não tenho com quem deixar. Eu tenho que ficar em casa com ela", diz.

Karliane também aponta que a quantidade de profissionais na creche é insuficiente para a demanda de crianças, o que gera sobrecarga e preocupação. “Não é porque os profissionais não são bons, mas são muitas crianças para poucas pessoas”, afirma. De acordo com a contadora, em uma turma com 19 crianças, há apenas três profissionais.

Uma servidora pública e agente de saúde, que preferiu não se identificada, é mãe de uma bebê de 1 ano e 6 meses que frequenta o berçário da creche e também enfrenta dificuldades com a redução do horário de funcionamento da unidade. Ela conta que precisar buscar a filha às 11h30 interfere diretamente na rotina de trabalho.

“Quando começamos, foi informado que passariam um período de adaptação. Mas já passamos o meio de março e não nos dão uma previsão de quando o horário integral vai começar”, relata.
Com a incerteza sobre a regularização do horário, ela tem precisado sair do trabalho antes do previsto. Em algumas ocasiões, a servidora precisa retornar no período da tarde para acompanhar visitas domiciliares com médicos, deixando a criança sem uma estrutura ideal de cuidado.

“Eu saio meia hora antes do horário e tento compensar de alguma forma com a chefia. Quando preciso ir à tarde, ela fica com meu marido, no mercadinho que temos, mas, como ela é bebê, fica muito difícil, ela se estressa com o calor, é bem desgastante”, explica.

A Redação Integrada de O Liberal solicitou um posicionamento da Prefeitura de Ananindeua, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

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