Sargaço: algas voltam a aparecer na Praia do Atalaia, em Salinópolis
O fenômeno é cunhado por cientistas como ‘Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico’

Algas do gênero Sargassum, um tipo de macroalga parda, estão reaparecendo na Praia do Atalaia. Nos últimos dias, o fenômeno natural alterou a paisagem e gerou preocupação entre os moradores, visto que o acúmulo excessivo pode gerar mau cheiro e dificultar o acesso à faixa de areia. Em março, um total de 136 carradas de sargaço foram retiradas da praia.
As algas do tipo Sargaço são flutuantes e crescem na superfície do oceano, transportadas pelo vento e correntes marinhas. O fenômeno foi cunhado por cientistas da Universidade do Sul da Flórida nos Estados Unidos como ‘Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico’.
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De acordo com a Secretária de Meio Ambiente de Salinópolis, Jéssica Matos, o retorno das algas não é alarmante até o momento, pois surgiu em pequena quantidade. “Nesse momento foi pouco. A limpeza da praia já acontece diariamente. Tendo sargaço, terá retirada normal deles”, afirma.
“Tem uma massa grande no oceano, e parte dele vai se desprendendo e chega nas zonas costeiras. O crescimento dele de forma mais acelerada está ligado ao aumento da temperatura do planeta, onde o oceano é o primeiro a sofrer, devido ele absorver bastante esse calor”, informa a Secretária.
Maquinários pesados estão sendo utilizados para remover os organismos das praias, em uma parceria da Prefeitura de Salinópolis com a Secretaria de Infraestrutura e Logística (Seinfra) do Governo do Pará.
Especialista explica o fenômeno
O biólogo José Martinelli, doutor em Oceanografia e professor associado da Universidade Federal do Pará (UFPA), foi o primeiro cientista a acompanhar o fenômeno do Sargaço desde a primeira aparição na Amazônia, ocorrida em 2014. “2014 foi o primeiro surgimento oficial, em 2015 surgiu uma quantidade ainda maior. Entre 2016 até 2024, as algas continuaram chegando, mas em quantidades menores. Inclusive, em alguns anos, essas algas não chegaram nas praias, né, ou em quantidades muito pequena”, relata.
De acordo com o biólogo, no ano de 2025, surgiu uma quantidade maior que em 2015, estabelecendo um novo recorde de algas encalhadas. “Essas algas estão ocorrendo no Atlântico tropical, na água de superfície do oceano e são transportadas pela corrente marinha que passa ali do nordeste em direção ao norte do Brasil e vai embora em direção ao sul do Caribe. Todos os anos, quantidades enormes dessas algas estão passando pela costa do Pará”, diz.
É possível estimar com precisão quando essas algas vão aparecer? Segundo o biólogo, o processo é difícil, mas pesquisadores calculam que seja entre os meses de fevereiro e julho. “A janela de observação é fevereiro à julho. Os casos assim, de grandes quantidades de algas, foram registrados entre março e maio”.
A aparição de grandes quantidades das algas pode afetar o turismo e a pesca. “Isso atrapalha as principais atividades econômicas na região do Salgado Paraense. Tanto o turismo quanto a pesca são afetados. A pesca artesanal principalmente, porque entope as redes, danifica as redes. Para o turismo, elas encalham na praia, apodrecem ao sol e começam a liberar um odor forte, desagradável. Em ambientes mais fechados com pouca circulação de ar, esses gases podem ter efeitos na saúde e irritar as vias aéreas”, alerta.
*Ayla Ferreira, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Fabiana Batista, coordenadora do Núcleo de Atualidade de oliberal.com
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