Lockdown tem reflexos diretos na economia e nos índices de ações criminosas

O menor número de pessoas nas ruas ajudou a impulsionar a redução dos índices de criminalidade

João Thiago Dias
fonte

A pandemia da covid-19 já impactou diversos segmentos no mundo. No Pará, o isolamento social começou em março e foi acompanhado pelo lockdown (bloqueio total) em alguns municípios, afetando diretamente a economia, já que muitos estabelecimentos foram fechados temporariamente ou tiveram serviços restritos. Na contramão, o menor número de pessoas nas ruas ajudou a impulsionar a redução dos índices de criminalidade. Quem faz o contraponto é o sociólogo, advogado, professor e especialista em segurança, Henrique Sauma.

"O fluxo menor, com diminuição de circulação de pessoas e aumento de lojas fechadas, acabou trazendo um aspecto positivo, que foi a redução da criminalidade patrimonial, como furto, roubo etc", comentou. "A taxa de homicídios também teve redução significativa, especialmente porque esses crimes banais são geralmente motivados por discussões em trânsito e em bares. Como teve redução do funcionamento desses estabelecimentos, por via de consequência, os crimes banais também reduziram", disse.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup), que divulgou no mês de maio vários dados sobre redução dos índices de criminalidade no Estado, em abril, os números de roubos a transeunte tiveram uma redução de 67%, no comparativo com o mês de abril de 2018. Na comparação com o mês de abril de 2019, a redução atingiu 57%. Já os roubos a coletivos tiveram redução de 95% (com menos 109 casos) em relação aos meses de abril de 2018 e 2020. E redução de 82% (com menos 28 casos) no comparativo dos meses de abril de 2019 e 2020.

Ainda sobre o balanço da Segup, os Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), que englobam os crimes de homicídio, latrocínio e lesão corporal seguido de morte, demonstraram uma queda de 54% nos índices registrados no Pará, comparados os meses de abril dos anos de 2018 e 2020, com menos 225 ocorrências. Já na comparação 2019 e 2020, no mesmo período, a queda foi de 27%, com menos 71 casos.

image Henrique Sauma (Acervo pessoal)

No aspecto econômico, Henrique Sauma alertou que a necessidade de adaptação aos negócios na internet foi acompanhada por um risco: fraude com cartão de crédito. "Quem vende e quem compra teve que se reiventar. Quem precisa oferecer serviços e está com a loja fechada usou bastante o delivery. Essa mudança de perfil é benéfica, porque estimula o comércio a fornecer novas modalidades de compra. Mas fraudes de cartão de crédito aumentam porque a criminalidade percebe que o modelo de consumo mudou e acaba se adequando a essa realidade para cometer crimes", explicou.

Para que o consumidor não seja vítima desse tipo de crime, Sauma faz uma recomendação. "A grande sugestão é que o consumidor compre onde ele está acostumado a comprar. Evitar cair em armadilha de internet. Se o preço for muito mais barato em uma loja onde ele nunca comprou e ele vai precisar fazer compra com cartão, pode não ser seguro. Pode buscar o desconto, mas caindo em um golpe, com cartão clonado ou algo assim. Para o Dia dos Namorados, que está próximo, por exemplo, a dica é comprar em site seguro onde já se tenha experiência de compra", orientou.

O advogado também chama atenção para o aumento expressivo de violência doméstica como reflexo do confinamento. Em um panorama no âmbito do Brasil, comparando abril de 2019 com abril de 2020, a quantidade de denúncias de violência contra a mulher recebidas no canal 180 cresceu 37,58%, saltando de 7.243 para 9.965 denúncias, segundo dados da Ouvioria Nacional de Direitos Humanos do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Dentre os fatores de risco: a vítima fica mais vulnerável se estiver isolada da família, dos amigos e das redes sociais. "Com o isolamento, com muita gente desempregada ou com contrato suspenso ou sem a possibilidade de exercer atividade econômica, aumenta o convívio dentro de casa. Isso tem potencializado conflitos, porque a pessoa acaba descambando para o álcool ou para a discussão banal que ganha um comportamento maior", avaliou Henrique Sauma. 

Outro impacto está relacionado ao sistema prisional. Isso porque, em março, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) enviou recomendações para tribunais e magistrados pela opção de prisão domiciliar para presos que estão em regime aberto ou semiaberto quando houver sintomas de covid-19. "Presos que preencham requesitos para ficar em prisão domiciliar. Em monitoramento eletrônico para evitar a proliferação da doença nas casas penais. Para não colocar em risco a vida dos detentos nem dos servidores. Não é aquele saidão. O Estado do Pará tem cumprido caso a caso", esclareceu Henrique.

O sociólogo reforça que o fim do lockdown não representa o fim do isolamento social. "Decretos de limitação são importantes e representam a ação do Estado e das prefeituras, especialmente porque falta um plano coordenado pelo governo federal. Apesar dessas medidas e dos investimentos em saúde, a sociedade civil deve estar alinhada, cumprindo as diretrizes para não colocar em risco a própria vida e a vida dos outros. Deve continuar as medidas de prevenção, higienização, lavando as mãos, usando máscara, evitando aglomeração", disse.

Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Pará
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

RELACIONADAS EM PARÁ

MAIS LIDAS EM PARÁ