Com uso inédito de 108% do FNO, Banco da Amazônia amplia crédito em municípios paraenses

Em 2024, o estado do Pará respondeu por R$ 4,1 bilhões em aplicações, com destaque para agricultura familiar, crédito verde e municípios de baixo IDH

Gabriel da Mota

O Banco da Amazônia (Basa) encerrou 2024 com o maior volume de crédito de fomento da história da instituição: R$ 15,6 bilhões, dos quais R$ 13,6 bilhões vieram do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO). A marca foi possível graças à superação inédita em 8% do total do fundo. “Aplicamos mais de R$ 2 bilhões de outras linhas”, revela o presidente do banco, Luiz Lessa, em entrevista exclusiva ao Grupo Liberal.

Segundo ele, o resultado mostra que o banco deixou para trás a imagem de instituição reativa.

"O Banco da Amazônia está muito mais ativo. Ele deixou de ser um banco reativo e, onde existem bons projetos, nós fazemos questão de estar lá", afirma.

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Além do FNO, os demais recursos vieram de fontes como Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e acordos internacionais.

Pará aplicou R$ 4,1 bilhões do FNO e puxou alta no crédito verde

No estado do Pará, o Basa aplicou R$ 4,1 bilhões em recursos do FNO, o que representa um crescimento de 24% em relação a 2023. “Isso mostra a potência que é o estado do Pará. Um estado rico, que tem negócios dos mais diversos, desde comércio e serviços nas grandes cidades até o agronegócio e a pecuária”, avalia.

image Luiz Lessa, presidente do Basa (Thiago Gomes / O Liberal)

Do total de R$ 7,7 bilhões destinados a crédito verde, R$ 3,7 bilhões foram aplicados em projetos no Pará, principalmente em recuperação de pastagens degradadas no sul do estado. “Não é abertura de áreas novas. É aproveitar aquelas áreas que já passaram por exploração madeireira no passado, pecuária extensiva, e hoje migram para a pecuária intensiva e grãos”, explica o presidente.

Além disso, o banco destinou R$ 10 bilhões a municípios com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em toda a região amazônica. Lessa explica que esses financiamentos têm juros mais baixos, como forma de induzir o investimento produtivo em regiões mais vulneráveis.

Agricultura familiar e microcrédito em alta

A agricultura familiar foi outro setor priorizado.

“Nós aumentamos 72% o volume total de concessão do Pronaf [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar], fechando o ano com R$ 1,3 bilhão. E aqui no Pará, nós fizemos quase R$ 400 milhões de Pronaf, um crescimento de 25%”, detalha Lessa.

Segundo ele, esse é um compromisso estratégico da instituição.

Apesar do volume recorde de crédito, o lucro líquido caiu em 2024 devido a ajustes no provisionamento diante da crise do agronegócio. “Tivemos uma redução no resultado líquido, mas não por motivos internos do banco. Sofremos muito, como todo o mercado financeiro, principalmente os bancos com crédito concentrado no agro”, contextualiza.

Com a queda nos preços da arroba do boi e das commodities, foi necessário reforçar a provisão para riscos de crédito, mesmo sem perdas efetivas. “Tivemos que fazer provisões para manter o banco saudável. Mas, excetuando a parte de provisão, todas as linhas de negócio do banco cresceram e os resultados de negócio foram muito bons”, pondera.

image Luiz Lessa, presidente do Basa (Thiago Gomes / O Liberal)

Mesmo assim, o banco encerrou o ano com lucro de mais de R$ 1 bilhão, e reforço no patrimônio líquido, que cresceu 11%. “Com isso, nós temos dois objetivos: melhorar a solidez do banco e aumentar a nossa capacidade de fazer crédito. Quanto mais patrimônio líquido nós temos, mais capacidade creditícia também temos”, destaca.

Expectativas para 2025

Para 2025, o Banco da Amazônia quer bater mais um recorde: “Em 2024, a gente fez R$ 15,6 bilhões de fomento. Para este ano, algo entre R$ 17 [bilhões] e R$ 18 bilhões seria um bom número. Em termos de volume total de crédito, esperamos passar dos R$ 20 bilhões pela primeira vez na história do banco”, antecipa o presidente.

Entre as novidades previstas para este ano estão novos produtos financeiros. “Teremos o cartão de crédito a ser lançado em breve, produtos de seguro novos e, também, o consórcio que vai sair ainda neste primeiro semestre”, revela.

image Luiz Lessa, presidente do Basa (Thiago Gomes / O Liberal)

Além disso, o banco fechou acordos de funding internacional, como 80 milhões de euros (aproximadamente R$ 490 milhões) com a Agência Francesa de Desenvolvimento e 100 milhões de dólares (aproximadamente R$ 570 milhões) com o Banco Mundial, para ampliar a oferta de crédito a clientes que atuam em dólar e preferem essa modalidade.

“O Banco da Amazônia está sendo passado a limpo depois de 82 anos. Temos um programa de transformação digital, novos produtos, formação de pessoas. Porque desenvolvimento regional não é só dar crédito. É entregar soluções completas para os nossos clientes”, finaliza.

📊 Os números do Banco da Amazônia em 2024

💰 Fomento total

R$ 15,6 bilhões em crédito de fomento regional  

108% do orçamento do FNO aplicado (R$ 13,6 bilhões)  

R$ 2 bilhões de outras fontes (FDA, BNDES, acordos internacionais)

🌿 Crédito verde

R$ 7,7 bilhões aplicados em projetos de economia verde  

R$ 3,7 bilhões no Pará (recuperação de pastagens e agricultura sustentável)

📍 No Pará

R$ 4,1 bilhões aplicados via FNO (+24%)  

R$ 400 milhões para agricultura familiar via Pronaf (+25%)

🤝 Municípios com baixo IDH

R$ 10 bilhões em investimentos na região amazônica

🚜 Agricultura familiar (região Norte)

R$ 1,3 bilhão em Pronaf (+72%)

🧾 Resultados financeiros

Lucro líquido: R$ 1,1 bilhão  

Crescimento do patrimônio líquido: +11%  

Provisão para riscos de crédito: R$ 1,5 bilhão  

🌍 Funding internacional

€ 80 milhões da Agência Francesa de Desenvolvimento (~R$ 490 mi)  

US$ 100 milhões do Banco Mundial (~R$ 570 mi)

📈 Expectativas para 2025

Meta de fomento: R$ 17 a R$ 18 bilhões  

Meta total de crédito: ultrapassar R$ 20 bilhões pela 1ª vez

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