Governo do Pará faz concessão de APA do Xingu para restauro florestal
Acordo ocorreu na manhã desta sexta-feira (28); Segundo empresa, iniciativa tem potencial milionário para a receita do Estado e de recuperação ambiental

O governo do Pará realizou a concessão da Unidade de Recuperação Triunfo do Xingu, no município de Altamira, sudoeste paraense, na manhã desta sexta-feira (28) para reflorestamento. A área foi concedida ao Consórcio Systemica e TDX SPE que já possui projetos de REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal) em outras localidades paraenses, totalizando três iniciativas com a de hoje. O sócio-diretor do consórcio que vai administrar a área, Thiago Ricci, declarou em discurso no evento desta manhã que o plano para o projeto é investir “mais de R$ 200 milhões ao longo de dez anos”.
“Para esse projeto específico a gente planeja mais de R$ 200 milhões em investimento nos próximos dez anos. O estado tem uma oportunidade de gerar receitas com a outorga máxima que foi gerada aqui pela Systemica, de mais de R$ 100 milhões de receita. É um projeto desafiador, mas uma vez bem implementado ele tem grandes oportunidades”, afirmou o porta-voz da Systemica.
A concessão pode ter a duração de até 40 anos e a iniciativa privada que recebe a outorga projeta a recuperação dos mais de 10 mil hectares de floresta, equivalente a 10 mil campos de futebol, e o sequestro de 3,7 milhões de toneladas de carbono equivalente. Além do investimento milionário, a área tem potencial para gerar uma receita total de R$ 869 milhões e criar cerca de dois mil empregos na região. De acordo com a concessionária, “não existe projeto de carbono sem desenvolvimento social”, nesse sentido pretendem gerar mais de 2 mil empregos diretos e indiretos na região, priorizando a mão de obra e fornecedores locais, por exemplo.
Dentre os benefícios mencionados, estão a recuperação e preservação da área, além dos incentivos socioeconômicos e até mesmo a regularização fundiária da região. A concessão foi realizada na bolsa de valores e reuniu autoridades e representantes de órgãos ambientais. O presidente da The Nature Conservancy Brasil (TNC), José Passos, celebrou “a primeira concessão de restauro do país” e faz votos de que este seja um modelo inovador a ser replicado.
“A meta brasileira é de restaurar 12 milhões de hectares e a gente precisa de modelos inovadores. O mundo precisa mobilizar capital privado, são trilhões de dólares que vão ser investidos se a gente quiser combater as mudanças climáticas, então a gente precisa de soluções com grande grau de aplicabilidade e isso é que o está sendo colocado aqui hoje”, afirma Passos.
O mesmo foi pontuado pelo presidente do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio), Nilson Pinto. “É possível juntar forças da sociedade com as forças do governo para restaurar a Amazônia e dando exemplo para o Brasil”, destaca.
VEJA MAIS
Segundo o governador do estado, Helder Barbalho, que esteve presente durante o encontro nesta manhã, a expectativa é de que a nova parceria com a vencedora do certame represente “um novo passo para a caminhada de uma Amazônia sustentável”. Ele lembra que a área concedida é marcada por conflitos e pressões ambientais, sendo atingida pelo desmatamento de maneira significativa. A iniciativa planeja beneficiar a todos de maneira mais justa, combatendo os prejuízos ambientais somados ao longo dos anos.
“Esta região representa o maior exemplo de conflito do passado, pressão sobre o bioma amazônico e, a partir disso tivemos a coragem de propor uma transição de modelo de desenvolvimento local a partir do olhar sobre as comunidades, a partir da construção de algo que buscasse equilibrar o uso do solo, oportunidades econômicas e sensibilidade social”, explica.
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA