Mundo prepara resposta para as novas tarifas de Trump

Alguns esperam isenções, como o Vietnã, que propôs reduzir suas tarifas sobre uma série de produtos

Myriam LEMETAYER/AFP
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Os parceiros comerciais dos Estados Unidos preparam uma resposta à nova onda de tarifas alfandegárias do presidente Donald Trump, que prometeu ser "muito gentil" em sua guerra comercial.

"Ninguém sabe o que vai acontecer" de modo que é "difícil elaborar um plano concreto", disse Carrie McEachran, diretora da Câmara de Comércio de Sarnia Lambton, na fronteira entre Canadá e Estados Unidos.

O presidente americano costuma cultivar incertezas e desestabilizar com mudanças de última hora.

"Seremos muito gentis", disse ele na segunda-feira, depois de passar semanas acusando países estrangeiros de "se aproveitarem" dos Estados Unidos.

Os mercados de ações asiáticos e europeus, que haviam registrado quedas acentuadas na segunda-feira, recuperaram-se ligeiramente nesta terça.

"Não queremos necessariamente tomar medidas retaliatórias", mas "temos um plano sólido para fazê-lo, se necessário", alertou a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Em Taiwan, o ministro de Assuntos Econômicos, Kuo Jyh-huei, disse que "nossas contramedidas têm sido avaliadas e analisadas: por exemplo, como reagiríamos a uma tarifa de 10%" ou a "uma tarifa de 25%".

- Haverá exceções? -

Alguns esperam isenções, como o Vietnã, que propôs reduzir suas tarifas sobre uma série de produtos.

O Japão anunciou a criação de 1.000 "centros de consulta" para auxiliar empresas enquanto busca um tratamento menos intransigente.

O Reino Unido também busca "um acordo econômico", disse o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, nesta terça-feira.

Segundo alguns meios de comunicação americanos, Donald Trump planeja fazer um grande anúncio na quarta-feira na Casa Branca, ao lado de membros de seu gabinete.

Outros países "se aproveitaram de nós, e seremos muito gentis em comparação ao que nos fizeram", repetiu na segunda-feira.

Isso parece diminuir a ameaça de tarifas estritamente "recíprocas", que fariam os Estados Unidos igualarem dólar por dólar as taxas impostas sobre produtos americanos no exterior.

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- Varinha mágica -

Mas o republicano não pode recuar depois de vender tarifas como uma espécie de varinha mágica capaz de reindustrializar os Estados Unidos, reequilibrar a balança comercial e eliminar o déficit orçamentário.

"Espero que seja como muitas das decisões de Trump no passado: inicialmente têm um grande impacto, depois as pessoas reagem, alguns aspectos se tornam problemáticos e ele faz ajustes", disse Ian Fletcher, economista e membro da 'Coalition for a Prosperous America', um grupo de especialistas que defende o protecionismo.

Segundo uma pesquisa realizada em março em sete países europeus, a maioria dos entrevistados apoia a ideia de responder com tarifas aos produtos americanos.

Os ataques de Washington ao livre comércio incentivam os países a reaproximações estratégicas.

No fim de semana, China, Coreia do Sul e Japão concordaram em fortalecer o livre comércio entre si. Autoridades europeias pediram o fortalecimento dos laços entre a União Europeia (UE) e o Canadá.

Desde que retornou à Casa Branca, em janeiro, Donald Trump aumentou as tarifas de importação de produtos da China, alguns do México e Canadá, seus parceiros no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (T-MEC), e sobre aço e alumínio, independentemente de sua origem.

Na quinta-feira, às 4:01 GMT (1h01 em Brasília), Washington também planeja impor uma tarifa adicional de 25% sobre carros e componentes fabricados no exterior.

Teoricamente, haverá uma exceção: veículos montados no México ou no Canadá estarão sujeitos a um imposto de 25% apenas sobre as peças que não forem procedentes dos Estados Unidos.

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