CONTINUE EM OLIBERAL.COM
X

Alta do Café: diversificação no cardápio ajuda a segurar preços, dizem empresários de Belém

Com crise climática e dólar alto encarecendo o café, estabelecimentos adotam estratégias para equilibrar custos sem afastar consumidores.

Gabi Gutierrez
fonte

O preço do café segue em alta, com o quilograma do produto se aproximando dos R$ 50. O reajuste acumulado neste ano já chega a quase 38%, segundo pesquisa do DIEESE/PA. Em Belém, cafeterias especializadas enfrentam o desafio de equilibrar custos sem perder clientes, enquanto consumidores ajustam seus hábitos diante do aumento de preços.

[YOUTUBE=i5AigkhrbUk]

VEJA MAIS:

image Cafeterias em alta em Belém: Tendências e oportunidades de um mercado em expansão
Como a capital paraense se tornou um polo promissor para o segmento de cafeterias, com consumidores ávidos por experiências culturais e sensoriais únicas.


image Vício em jogos de apostas online já afeta funcionários de restaurantes em Belém
Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) assinou, na última semana, manifesto de defesa à regulamentação das propagandas e do acesso às plataformas de apostas online devido a efeitos nocivos do novo fenômeno social do país.


image Novo imposto pode afetar bares e restaurantes em Belém
Representantes temem mais um aumento e clientes já reclamam dos preços

Jorge Guimarães, empresário à frente de uma rede de cafeterias na capital paraense, diz que o aumento do grão tão querido entre os brasileiros acompanha o setor desde 2023. "A gente vem enfrentando um desafio desde assim, mais incisivo desde 2023 com crise climática. É, essa instabilidade econômica, né, que gera o aumento do dólar também. O café é um commodity dolarizado. Isso gera todo o impacto no consumidor final", detalhou.

Paulo Henrique Raiol, também dono de uma casa de cafés na capital, confirma dizendo que essa é uma preocupação recorrente do reflexo em custos de insumos por conta das instabilidades climáticas. "Considerarmos que café de qualidade é um produto que não pode ser estocado, você acaba ficando mais suscetível a alterações de valores de última hora”, explica. Esse cenário traz insegurança para os empresários, que se veem pressionados a equilibrar a qualidade com a necessidade de repassar custos ao cliente.

Guimarães detalha por que o impacto da crise climática tem sido crescente: “O café precisa de temperaturas entre 18 e 22 graus para uma produtividade ideal, e as mudanças no clima têm comprometido a produção". O clima, como um fator externo, tornou-se uma das maiores ameaças ao setor, forçando reajustes nos preços.

Reajustes 

Apesar da presão no setor, os dois empresários compartilham que, até o momento, foi possível segurar os aumentos no cardápio. “Sim, aumentou quase 50% e até o momento seguramos o repasse para os clientes, mas prevemos que logo teremos que fazer reajustes. A solução provisória foi oferecer outros itens do cardápio que não sofreram impacto tão grande de reajuste, como os sucos”, explica Paulo. Raiol ainda diz que aposta na diversificação do cardápio para oferecer alternativas aos consumidores sem afetar tanto o preço final.

Segundo Jorge Guimarães, a sustentação desse modelo a longo prazo é insustentável sem ajustes de preço. “A longo prazo, será impossível manter os preços sem refletir as mudanças no custo dos insumos. A pressão é real, e precisamos repassar uma parte desses aumentos para os consumidores”, conclui. O dilema entre manter a qualidade do produto e não perder o público tem sido um desafio recorrente no setor.

Por fim, ainda explica que a expectativa é que o impacto sobre os preços se intensifique nos próximos meses, com a safra de 2025/2026, o que vai fazer com que os empresários precisem reajustar seus cardápios. “O aumento deve ser sentido, ao ponto de reajustes nos cardápios, entre os meses de junho e julho de 2025”, diz.

Consumidor em adaptação

Para os consumidores, a adaptação também tem sido necessária. Raphael Alves, empresário de 45 anos, notou um aumento significativo nos preços das embalagens de cafés especiais, com valores superiores a R$ 70, contra R$ 45 a R$ 55 pagos anteriormente. “Pagava entre R$ 45 e R$ 55, agora está R$ 70”, relata. No entanto, ele observa que o preço do café expresso na cafeteria que frequenta não sofreu reajustes. “O café expresso manteve o preço de R$ 7, o que é um alívio, mas sabemos que a tendência é que tudo suba.”

Eduarda Aleixo, estudante de 22 anos, também notou o aumento nos preços dos cafés especiais. “Como estudantes, contamos nosso dinheiro, e apesar de minha amiga ter se formado recentemente, ainda estamos atentas aos gastos”, afirma. A decisão de frequentar uma cafeteria, para ela, vai além do preço. “Se o valor não compensa o sabor e a experiência, simplesmente não voltamos”, explica. Isso reflete como o consumidor está mais seletivo diante do aumento de preços e ajusta seus hábitos de consumo conforme a percepção de valor.

Alternativas

A verticalização da cadeia produtiva tem sido vista como uma possível solução para mitigar os impactos dessa instabilidade. Guimarães enfatiza a importância de integrar mais etapas do processo produtivo. “O desafio atual é entender a dinâmica do mercado e se sobressair diante desse novo cenário. A verticalização pode nos ajudar a buscar maior estabilidade nos preços finais”, afirma. Ao integrar mais etapas da cadeia produtiva, as cafeterias conseguem controlar melhor os custos, garantindo a qualidade sem depender de intermediários.

Paulo Henrique Raiol também acredita na importância da transparência para enfrentar a crise econômica. “Entendo que a instabilidade econômica afeta todo ecossistema, desde o produtor, com quem trabalho exclusivamente com pequenos, até o consumidor final. No local de intermediário dessa relação, tenho tentado manter os valores enquanto utilizo a transparência para informar aos clientes nas redes sociais sobre os aumentos e sobre a situação geral, para que seja de conhecimento de todos que os reajustes que virão são decorrentes de uma conjuntura econômica”.

Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Economia
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM ECONOMIA

MAIS LIDAS EM ECONOMIA