Paraenses já pagaram R$ 10 bilhões em impostos no primeiro bimestre 2025
Volume arrecadado - em impostos municipais, estaduais e federais - representa aumento de 10% em comparação ao mesmo período do ano passado

Dados da plataforma Impostômetro, gerenciados pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), apontam que a arrecadação de impostos - municipais, estaduais e federais - no Pará, registrou um aumento de 10% no primeiro bimestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Entre janeiro e fevereiro de 2025, foram recolhidos no Estado R$ 10.811.173.771,16 em tributos, enquanto que no ano anterior, o total foi de R$ 9.827.518.696,40. Na capital paraense, também foi registrado um crescimento de 10% no período analisado, passando de R$ 220.980.165,77 para R$ 243.098.491,69.
Na avaliação do economista paraense Valfredo de Farias, a arrecadação fiscal é predominantemente positiva, pois quanto mais dinheiro é recolhido, maior é o montante de investimentos que pode ser distribuído entre União, Estados e Municípios. “Quando a gente tem maior arrecadação, isso significa mais dinheiro para investir em infraestrutura, saúde, educação e segurança, que são as necessidades básicas que o Estado deve atender à população”, explica.
Entretanto, Valfredo ressalta que nem todo o dinheiro arrecadado é destinado integralmente para investimentos. Uma parte é utilizada para o pagamento de obrigações fixas, como a folha de pagamento do funcionalismo público e previdência. Ele destaca que o aumento dos tributos pode impactar diretamente o cotidiano da população.
“Se o Estado for eficiente e conseguir arrecadar mais sem aumentar impostos, isso não impacta muito o cotidiano. Contudo, quando há aumento de impostos, como ocorreu recentemente, e algumas alterações na legislação que proporcionaram mais arrecadação, podemos enfrentar problemas. O preço final dos bens e serviços aumenta, refletindo os custos de produção das empresas. Portanto, cada vez que aumenta o imposto, isso se traduz em preços mais altos para o consumidor final”, observa.
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Nesse contexto, o aumento de 10% na arrecadação pode estar relacionado a um aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e às recentes obras da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30), que acontecerá em Belém, que têm impulsionado o faturamento das empresas e, consequentemente, a arrecadação, reflete o analista.
O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que reúne os secretários da Fazenda de todas as Unidades Federativas, aprovou, no dia 1º de fevereiro, o aumento da alíquota do ICMS sobre combustíveis, o que também contribui para essa dinâmica.
Em relação à reforma tributária, Valfredo observa que, até o momento, não houve uma mudança significativa. “Estamos tendo, de fato, uma simplificação no pagamento dos impostos, que hoje é uma infinidade de boletos e guias. Agora, tudo está sendo simplificado em dois: o imposto federal e o imposto estadual. Contudo, isso pode levar até sete anos para ser plenamente implementado e, até lá, muita coisa pode mudar”, afirma.
Ele alerta que o objetivo da reforma não é necessariamente reduzir impostos, mas simplificar a forma como lidamos com eles, especialmente em relação aos pagamentos. “Não estou criando muitas expectativas, e acredito que a população também não, em relação a uma redução de impostos ou a uma melhoria significativa em nossa vida. Acredito que não vai acontecer algo muito diferente do que já é hoje.”
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