Empresária deixa carta emocionante para ser lida após a morte; leia a íntegra

‘É possível ser feliz com câncer’, afirma empresária em texto de despedida

O Liberal
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Amigos e familiares da empresária Juliana Carvalho Lopes encontraram conforto em suas palavras depois da morte dela devido a um câncer. Juliana deixou uma carta para ser lida em sua própria cerimônia de despedida. O relato é um desabafo, mas uma “aula” sobre como passou a enxergar a vida depois do diagnóstico.

“Meu objetivo, desde o meu diagnóstico, foi desmistificar a doença, o processo e o fim da vida [...] Eu vivi meus últimos anos com dignidade e alegria, apesar do câncer. E como eu sempre repetia – com todo respeito a toda dor e a maneira que cada um tem de lidar com seus perrengues – é possível, sim, ser feliz com câncer. Eu fui”, diz trecho da carta.

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Juliana enfrentou um câncer de intestino e depois de passar por oito procedimentos cirúrgicos para combater a doença, ela estava com um quadro irreversível. A empresária realizou cuidados paliativos para tentar diminuir o avanço do câncer e amenizar a dor. Ela morreu no dia 4 de março, deixando para trás marido e dois filhos.

Mas, antes de partir, Juliana organizou uma grande festa para 150 pessoas em fevereiro, na segunda-feira de Carnaval. Para ela, aquela era a festa de despedida. O marido, Márcio Antunes, disse que Juliana sempre encarou a doença com bastante tranquilidade e que o texto da carta é bastante verdadeiro.

Casal ficou junto por 32 anos

Dos 45 anos vividos por Juliana, 32 foram ao lado de Márcio. Os dois se conheceram quando eram adolescentes, aos 14 e 16 anos, respectivamente. De Londrina, no norte do Paraná, eles tiveram dois filhos. Márcio contou que a carta foi uma surpresa para ele e para a família, mas que o objetivo do material fez jus ao estilo atencioso de Juliana.

“Sei, humildemente, que sentirão saudades da minha presença, das minhas patifarias, da nossa convivência, eu já estou... Mas espero que se apeguem as nossas pequenas lembranças, nossos momentos de alegria e risadas, nossas trocas”, diz a carta da paranaense.

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Márcio conta que a carta deixada pela esposa foi enviada por e-mail para as irmãs dela, dias antes de Juliana falecer. Na mensagem, ela pedia que a família só abrisse a o arquivo após a morte dela. Ele lembra que durante o tratamento, Juliana enfrentou a doença com determinação e coragem.

“Ela só chorou uma vez, no dia que recebeu o diagnóstico. No dia seguinte, ela falou pra mim: ‘não choro mais. Se eu tenho pouco para viver, eu não vou ficar morrendo todo dia. Eu vou me ocupar de viver’. Eu sempre soube que ela era forte, mas parece que enfrentar o câncer transformou ela em uma coisa muito maior. Tudo que ela tinha de potencialidade foi amplificado.”

Leia, abaixo, a carta de Juliana na íntegra:

A minha hora chegou. E tá tudo bem, gente. Tive a oportunidade e o privilégio de me preparar pra ela. Me redescobrir e receber o melhor das pessoas. Essa é uma despedida honesta e, absolutamente, grata. A despedida de uma vida linda, cheia de sentido, de amor e das pessoas mais especiais que eu poderia ter tido o privilégio de conviver. Minha família, minhas amigas e amigos e tanta gente, que apesar da pouca intimidade, se fez tão presente, com gestos, palavras, orações, força.

Durante o tratamento, passei por muitas fases aqui dentro de mim. E, felizmente, encontrei as minhas próprias ferramentas psíquicas para lidar com o câncer e com as pessoas da minha vida. E fui sustentada pela força, o afeto, a parceria e o amor de vocês, cada um à sua maneira. E passei a tentar compreender os sentimentos e emoções das pessoas que me cercam, me atrevendo a entender e experimentar, da forma objetiva, racional, mas também, empática, o que sente o outro. Pra mim, funcionou, espero que pra vocês também. Uma certeza, morri cheia de gratidão no coração e cercada das melhores pessoas.

Aliás, se eu puder deixar um pedido, desmistifiquem o câncer ou outra doença grave. Desmistifiquem a morte, afinal, ela é o maior clichê da nossa vida. Meu objetivo, desde o meu diagnóstico foi desmistificar a doença, o processo e o fim da vida. Acho que funcionou, vocês entenderam e eu vivi os últimos anos com dignidade e alegria apesar do câncer. E como eu sempre repetia - com todo respeito a dor e a maneira que cada um tem de lidar com seus perrengues - é possível, sim, ser feliz com câncer. Eu fui.

Um recadinho para quem me acompanhou no trecho: Sei humildemente que sentirão saudades da minha presença, das minhas patifarias, da nossa convivência, eu já estou... Mas, espero que se apeguem as nossas pequenas lembranças, nossos momentos de alegria e risadas, nossas trocas. Construam nossas memórias. Espero ter deixado material pra isso. Para carregarem um pouquinho de mim em cada um de vocês (só a parte boa!), mas com alegria, sem drama. Vocês sabem que drama nunca foi meu forte.

Li, certa vez, que "o luto é o preço do amor”. Eu, só posso agradecer o tanto de amor que vocês me dedicaram. E desejar que vocês, meus amados e amadas, vivam esse luto, do jeito mais leve e alegre que vocês puderem, assim como eu levei a vida.

Sabe qual é a maior homenagem que vocês podem fazer a mim? É honrar as suas próprias vidas, com honestidade nas relações, alegria, integridade, empatia, amor e muita diversão, claro! Aliás, depois da minha despedida, se juntem e vão tomar um chopp, ouvindo um samba e falando bem de mim. O da minha mãe é escuro.

Eu deixo chorarem a minha partida, faz parte. Mas, acima de tudo, celebrem a minha vida. Estou em paz. Fiquem também.

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