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Tarifa de 10% imposta por Trump preocupa exportadores do Pará

Setor agropecuário vê riscos indiretos e incertezas com nova política comercial dos EUA, que entra em vigor a partir de sábado (5)

Gabriel da Mota e Maycon Marte
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O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de tarifas de até 10% sobre produtos importados, incluindo os do Brasil, repercutiu com cautela entre representantes do setor produtivo paraense. A medida, que entra em vigor no sábado (5) para as alíquotas de 10% e na próxima quarta (9) para as taxas maiores, visa, segundo o republicano, trazer de volta fábricas e empregos aos EUA. No Pará, produtores rurais e industriais ainda avaliam o impacto das mudanças, com destaque para o setor madeireiro, avícola e de carnes.

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De acordo com Guilherme Carvalho, consultor técnico da Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará (Aimex), a tarifa de 10% “é o piso estabelecido pelo decreto de Trump”, mas ainda não está claro se os subprodutos de madeira estão entre os principais alvos.

“A incidência da tarifa pode provocar retração na demanda americana, o que afetaria as exportações paraenses. O mercado norte-americano é o principal comprador da madeira do Pará, e o segundo, a União Europeia, não teria capacidade de absorver a mesma demanda”, explicou.

Avicultura vê risco de encarecimento no Norte  

O presidente da Associação Paraense de Avicultura (Apav), Cláudio Afonso Martins, acredita que o principal impacto no setor será indireto. “Quando você aumenta a exportação, o produto que vinha do Sul e do Sudeste para cá vai para fora. Diminui a oferta interna, no Norte e no Nordeste, e o preço sobe”, avaliou.

Para ele, o tarifaço não deve afetar diretamente a exportação de carne e ovos do Pará, já que o estado não é grande exportador para os EUA.

“Aqui no Pará, não vai faltar. A gente nem exportava ovo pros Estados Unidos. Isso começou por causa da influenza aviária que teve lá”, pontuou.

Exportações de carne aguardam liberação federal  

O presidente do Sindicato da Carne e Derivados do Estado do Pará (Sindicarne), Daniel Freire, explicou que o Pará ainda não exporta para os EUA por questões burocráticas. “Essa nova taxa não nos afeta no momento, mas a nossa avaliação é que ela não é justificada. Os EUA já tarifam em 26,4% a carne que ultrapassa a cota de 65 mil toneladas. O Brasil exportou 230 mil toneladas no ano passado”, informou.

Freire destacou que o governo do Pará está empenhado em viabilizar a entrada do estado no mercado norte-americano.

“O ministro da Agricultura elogiou o trabalho da Adepará [Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará]. Estamos prontos. Esperamos que essa situação avance, mas o tarifaço pode complicar o cenário”, acrescentou.

FAEPA vê cenário indefinido e aguarda reunião  

Para Guilherme Minssen, diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), ainda é cedo para medir os efeitos reais da medida. “Estamos tentando entender melhor essa tarifa. Ainda não há uma definição clara. Tem muita conversa, mas pouca certeza. Vamos discutir isso em reunião local nesta sexta-feira [4]”, disse.

Segundo ele, o agronegócio paraense está atento, mas o momento é de cautela.

“Existe a possibilidade de encontrar soluções para diminuir o impacto. Ainda estamos navegando em um mar de incertezas”, acrescentou.

Setor agro vê riscos indiretos, alta de custos e incertezas no longo prazo

A Associação dos Produtores de Soja, Milho e Arroz do Pará (Aprosoja Pará) compartilhou o posicionamento da Aprosoja Brasil sobre o chamado "tarifaço de Trump". Em nota, a entidade afirmou que, embora a tarifa de 10% imposta ao Brasil tenha sido mais branda em relação a países como China, Japão e União Europeia, a medida representa uma ruptura com o modelo global de livre comércio praticado pelos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial.

Ainda segundo a nota, o impacto sobre o complexo soja seria indireto, mas relevante, devido à reorganização logística e à volatilidade de preços e prêmios no mercado internacional.

“No médio prazo, a tendência é positiva, sobretudo porque as tarifas foram mais altas para a Ásia e União Europeia. Isso pode ampliar nossas exportações para países como Indonésia, Hong Kong, Cingapura e Vietnã”, diz o comunicado. 

A Aprosoja também manifestou preocupação com o cenário internacional. “No longo prazo, paira uma grande incerteza e medo de recessão na maior economia do mundo. Se houver estagflação nos EUA, os custos para o Brasil sobem, o dólar pressiona a inflação e há risco de queda do PIB”, destaca. Por isso, a recomendação da entidade é que os produtores aguardem com cautela e não antecipem investimentos ou vendas.

Trump justifica decisão como medida de proteção ao emprego

Ao anunciar as tarifas, Trump disse que pretende cobrar “metade do que nos cobram”, alegando que outros países impõem taxas elevadas aos produtos americanos. A tarifa de 10% para o Brasil não se acumula aos 25% já aplicados sobre aço, alumínio e autopeças. Ficam isentos itens como medicamentos, semicondutores, energia, ouro e produtos vinculados a leis de segurança nacional.

Apesar de o Brasil não estar entre os países mais penalizados — como Lesoto (50%), China (34%), União Europeia (20%) e Japão (24%) —, analistas alertam que a medida pode elevar a inflação nos EUA e desestabilizar relações comerciais. Para o setor produtivo do Pará, a ordem agora é acompanhar os desdobramentos com cautela e reforçar articulações externas.

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