Produtores de açaí de Igarapé-Miri seguem com atividades parcialmente suspensas
Greve dos trabalhadores do município pode afetar preço do produto, que começou a baixar recentemente.

A paralisação dos produtores de açaí de Igarapé-Miri continua parcialmente, segundo informou o Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município à reportagem do Grupo Liberal nesta segunda-feira (30). De acordo com o agricultor e presidente da entidade, Elivelton Miranda, pela manhã foi realizada uma reunião com produtores dos municípios de Abaetetuba, Cametá, Limoeiro do Ajuru e Oeiras do Pará, que também reivindicam um piso para a rasa do açaí e, caso não avancem as negociações, podem também aderir à greve, iniciada no último dia 23 de agosto.
Elivelton afirmou que uma reunião com a Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa) está marcada para esta quarta-feira (1º), e outra para a próxima sexta-feira (3), com o Sindicato das Indústrias de Frutas e Derivados do Estado (Sindfrutas). A intenção é conseguir um acordo com os empresários sobre o preço da rasa e ainda discutir outras pautas do setor produtivo. A manifestação do segmento já fez aumentar o número de caminhões na doca do Ver-o-Peso, em busca da produção de açaí vinda da região das ilhas de Belém.
“Vamos dar as nossas condições: ou eles nos atendem na demanda ou usamos o que a gente tem. Vamos propor um piso, um valor mínimo de preço para a rasa do açaí – que contém 28 kg do fruto. Queremos propor também algumas mudanças na forma com que as indústrias compram produto em Igarapé-Miri. Compramos em saca de fibra e não é bom, danifica porque abafa muito e perde qualidade, entra em processo de decomposição mais rápido do que estando no paneiro ou basqueta. Essa baixa qualidade que inclusive eles argumentam é dos produtores que vendem pros atravessadores deles mesmos, dessas grandes indústrias”, justifica.
O agricultor informou ainda que, no encontro com representantes dos municípios produtores de açaí, foram definidas estratégias para a cadeia produtiva a nível regional, para as duas reuniões vindouras. “Nossas negociações pararam porque os empresários argumentam coisas que não tem fundamento na nossa opinião. Alguns produtores voltaram a tirar o fruto porque não se pode perder a safra. Entendemos o procedimento, parar não é bom, nem para nós que vivemos disso, porém é a única maneira que estramos encontrando de negociar, precisamos de condições de trabalho e sobrevivência”, finaliza.
O presidente da Associação dos Vendedores Artesanais de Açaí de Belém (Avabel), Carlos Noronha, afirmou que na Feira do Açaí, no complexo do Ver-O-Peso, já há noites em que ficam de 8 a 10 caminhões na doca, além de três a quatro caminhões na Feira da Conceição, no bairro do Jurunas. A preocupação dos empresários seria acabar mais rapidamente com a safra do açaí das ilhas, já que quando mais tiver demanda, mais o produtor vai colher e aproveitar o momento para vender.
“Se continuar assim, meados de outubro está acabando o que tem dessa safra. Fora que o preço já aumentou, a gente comprava 80 reais uma rasa de 28 kg. Quando os caminhões de plantações começa a chegar na feira, o olho do produtor cresce, aí começa a aumentar. Hoje comprei a 100 reais. A negociação vai depender da agroindústria de Igarapé-Miri e Abaetetuba, que talvez entre de greve hoje. Mas acho que açaí sempre foi lei da oferta e procura, não tem como fechar preço do ano. Se se tem muito, paga barato, se tem pouco, a gente paga caro”, analisa Carlos.
Pontos de venda em Belém afirmam que greve ainda não deve afetar preço do açaí
Como a maior parte do açaí que é vendido em Belém é oriunda das ilhas, alguns pontos de venda informam que, a princípio, o preço do produto não deve aumentar. O produtor e comerciante Raimundo Cascaes, que tem dois pontos de venda na capital, afirma que tudo vai depender do tempo de duração da greve. “Até então ainda não houve mudança de demanda, porque as fábricas fazem estoque, aí conseguem segurar. Mas produto de safra não tem como estocar, então vai ter ser colhido, senão vai secar e estragar”, explica.
O preço do litro do médio do açaí – intermediário entre o mais grosso e o popular, que começou a baixar em julho, no ponto de Raimundo, custava R$ 26 e agora está R$ 18. Raimundo comenta que a exportação e a necessidade de abastecer esse mercado também é um fator que pode acarretar a alta do preço. “A gente vende de 800 a mil litros por semana aqui, sabemos que compramos mais caro que a indústria e se faltar para eles, vão pegar da nossa produção, aí aumenta né”, ressalta.
O funcionário público Renato Lima, de 49 anos, compra açaí todos os dias e, segundo ele mesmo, toma de manhã, de tarde e de noite. O consumidor afirma que o peso dessas altas impacta diretamente no bolso. “Se a pessoa toma açaí todo dia como eu, fica difícil. E mal baixou de preço, fica complicado”.
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