Presidente da FAEPA Carlos Xavier defende que o Pará pode ser líder em desenvolvimento
Setor avalia com atenção mudanças na legislação e destaca a necessidade de espaço nas discussões da Cop 30
Às vésperas da realização da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (Cop 30), sediada em Belém, entre 10 e 21 de novembro do próximo ano, diversos setores se movimentam em torno das discussões do encontro. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Carlos Xavier, em entrevista exclusiva ao Grupo Liberal, levantou os atuais desafios do agronegócio, preocupações com o futuro e expectativas com a representatividade do segmento no evento e no estado como um todo.
O representante da federação especula que, com as condições favoráveis do estado, o Pará tem potencial para se tornar o líder em desenvolvimento no país. Ele destaca como características para esse cenário, as vantagens geográficas do território e o abastecimento de água e energia, por exemplo. Nesse sentido, a presença enfática do agronegócio nas discussões do encontro climático, segundo ele, é também uma maneira de mostrar a real contribuição do setor para o desenvolvimento do estado, que já percebe essa potencialidade.
Xavier ainda reforça como alguns dos principais efeitos positivos do segmento para o estado: a alimentação dos habitantes e a movimentação da economia. Isso porque além de alimentar uma parcela significativa da população com os insumos produzidos, o setor também alimenta a economia com a comercialização dos mesmo produtos para outras regiões.
A Faepa representa a classe dos produtores rurais no Pará e auxilia a intermediar as discussões entre os ruralistas e o governo, assim como se propõe a defender os interesses da categoria. Cumprindo o seu papel intermediador no ambiente mais político, parte das suas obrigações é agir em prol de leis e mudanças necessárias que ampliem as mesmas potencialidades já mencionadas. A soma dessas ferramentas, como pontuou Xavier na entrevista ao grupo, são as ferramentas necessárias para levar o Pará à liderança em desenvolvimento, seja antes, durante ou depois da Cop 30.
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Qual é a contribuição que a Faepa tem dado à Cop 30 e qual o posicionamento que o agronegócio precisa ter no evento?
Nós, atendendo a um pedido do Governo Federal, viemos ocupar a Amazônia, para você ter uma ideia nós éramos dois milhões e agora somos nove milhões, é o estado mais impactado pelo processo migratório. Agora, ainda temos algumas angústias como o baixo desenvolvimento humano e o que nós estamos trazendo aqui é a preparação, porque o mundo inteiro vem aqui e nós precisamos mostrar a nossa realidade a ele. Um fato que comentei aqui é que precisamos, sem usar uma vírgula de mentira, contar a eles a nossa realidade, porque a conversa deles é que nós estamos acabando com tudo, quando, na verdade, a Amazônia mostrada pelo Dr. Evaristo (apresentação feita durante evento de ruralistas) revela o que nós estamos realmente fazendo.
Qual é a expectativa dos empresários do setor que você representa com o pós-Cop 30. O que tem que ser decidido ou determinado a partir do evento?
Está sendo uma grande motivação para nós paraenses que queremos discutir, por exemplo, a nossa cidade. Nós temos aqui no Pará 3,2% da água doce do mundo, mas tem residência em Belém que não tem água. Você já ouviu falar de lixo em São Paulo? Aqui o lixão do Aurá já tem uns cinquenta anos que já estamos discutindo e esses são apenas dois exemplos.
Para assuntos como esse nós precisamos nos apoiar e combinar com o governo, não estamos fazendo críticas, estamos sendo aliados do governo, porque não adianta você ficar reclamando, você tem que se aliar e todo mundo só cumpri as obrigações com aliança, mas tem que ser para os dois lados. Nós estamos trabalhando com essa possibilidade para preparar nós paraenses para fazer um grande trabalho e eu não tenho dúvida que o mundo inteiro está de olho na Amazônia.
Uma das coisas mais debatidas nesse tipo de evento são as questões ligadas à pauta de mudanças climáticas. O agronegócio tem sido impactado por isso? Quais setores do agro tendem a ser mais afetados?
A nossa contribuição para essas mudanças é insignificante, sobretudo na Amazônia. Isso de que os gases do efeito estufa sendo emitidos é sempre o contrário. Ainda diria mais, esse assunto é extremamente importante, mas há a necessidade de que nós paraenses tenhamos consciência do que nós podemos contribuir. Não tenho dúvidas nenhuma de que se nós tivermos esse nível de consciência, vamos fazer a diferença e vamos mostrar para o mundo o nosso papel aqui com relação ao agro.
O agronegócio não traz nenhuma consequência, e lhe digo mais, nesse planeta que estamos aqui pisando, 69% é água, 31% é terra, dessa parcela de terra, a metade é gelo e deserto, e a outra metade, cerca de 15,5% é a Floresta Amazônica é a Ásia, então nós só trabalhamos uma pequena parte do nosso planeta. Mas, se tiver algum fato negativo que estivermos contribuindo, vamos corrigir, esse é o nosso sentimento.
Tem alguma contribuição positiva do setor que possas mencionar?
Sobretudo à bioeconomia, e, tem um fato extremamente importante, é que não adianta falar em economia sem falar no nosso semelhante. Então, tem floresta em pé, boto-cor-de-rosa, peixe-boi e outros, mas e o nosso semelhante? Em uma situação dessas com o pior desenvolvimento humano. Esse é o objetivo com que precisamos trabalhar.
Existe algum dado ou notificação sobre produtores rurais afetados por fatores envolvendo as mudanças climáticas?
No mundo inteiro, quando o clima muda tem queimada, mas estamos fazendo, por exemplo, convênio com o corpo de bombeiro para treinar brigadista em todos os locais onde nós temos sindicato. E nós aqui estamos pelo Senado bancando tudo isso, exatamente para o caso em que haja queimadas, nós podermos evitar os estragos.
Existem algumas movimentações no Congresso e no Senado sobre a reforma tributária, por exemplo, isso preocupa o setor do agronegócio?
Nós estamos tendo uma movimentação nacionalmente muito forte contra o agronegócio, mas nós temos a nossa organização nacional que é a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) junto com um instituto que trabalha dentro da CNA e que tem deputados que compõem a frente parlamentar da agricultura. E, com isso, nós estamos colaborando com o governo, mas no sentido de que não venha nenhuma política contrária.
Ao invés disso, nós precisamos fortalecer a produção até para poder comercializar fora, como nós estamos fazendo. Por alto, já são cerca de um bilhão e seiscentos milhões de pessoas que nós estamos alimentando. Além de estar movimentando recursos aqui para o nosso desenvolvimento, algo que precisamos.
Há alguma outra pauta em discussão que também deixa o setor atento, como, por exemplo, o Marco Temporal?
Eu te diria que nós estamos aproveitando a oportunidade de trazer o Pará inteiro para a liderança, para discutir com a Assembleia Legislativa, vamos conhecer a parte fundiária que é um programa sério, a parte ambiental, a rastreabilidade bovina, que o próprio governo votou como obrigatório e nós estamos de acordo porque isso representa um avanço. Também destaco nossa pecuária, sendo o segundo maior rebanho do Brasil hoje. Nós paraenses, sendo nove milhões de habitantes, não consumimos nem um terço, o que quer dizer, que mais de dois terços do que produzimos na pecuária bovina, vendemos para fora. E, lógico que nós temos que atender as recomendações e as exigências impostas.
A expectativa, então, é que projetos como o Marco Temporal sigam em frente para que se colha algum efeito positivo?
Estamos discutindo isso e a CNA está conseguindo uma vitória significativa, mas temos que proteger aquele indígena que estava lá. Não adianta querer ampliar isso sem consistência, mas com consistência o indígena merece o nosso respeito.
Qual foi o índice de crescimento do agronegócio este ano e qual é a expectativa de crescimento para 2025?
Pelas potencialidades que o Pará possui, como território, estabilidade climática e 3,2% da água doce do mundo concentrada aqui, e com mais a maior geração de energia elétrica do Brasil, que está aqui em Tucuruí, não tenho dúvida que nós vamos ser o primeiro estado brasileiro em desenvolvimento. Esse é o sentimento da casa com tudo isso que está acontecendo e esse é também o nosso objetivo. Por isso, nós não vamos abrir mão dessa expectativa, vamos nos juntar, vamos fazer alianças e mostrar para os paraenses que nós temos que chegar nesse nível, temos que ser o primeiro estado em desenvolvimento na nação brasileira.
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