Exportação de carne bovina gerou mais de R$ 4 bilhões no Pará em 2024
Novos mercados, habilitação de indústrias, além de segurança jurídica e ambiental podem fazer o setor decolar ainda mais, avaliam representantes
O Pará demonstrou um bom desempenho quanto à exportação de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, com uma arrecadação de R$ 4.298.834.000,00 no acumulado de 2024. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Na comparação com o ano anterior, de 2023, o levantamento ainda aponta um crescimento de 45,5%. A ampliação de indústrias para a China, principal comprador da produção paraense, pode justificar esse desempenho, como defende Francisco Victer, coordenador da Aliança Paraense pela Carne.
Victer explica que, até o ano de 2023, o Pará possuía quatro indústrias habilitadas para a China, mas, em 2024, esse número se ampliou com a habilitação de outras quatro novas indústrias, mantendo grande parte da concentração de exportações com destino ao país asiático. “Como o Pará responde por mais da produção destinada à China, essa exportação acabou sendo responsável por esse incremento de 45%”, ressalta.
Além do principal comprador, o coordenador também menciona o bom desempenho da exportação do estado para outros destinos e menciona outros compradores. Entre eles: Israel, Emirados Árabes, Hong Kong, Líbia, Singapura, Arábia Saudita, Rússia, Egito, Turquia, Canadá, Filipinas, Uruguai, Albânia, Angola, Tailândia, Iraque e Jordânia. A expectativa do representante é que esse movimento se mantenha sólido no decorrer deste ano, mas é importante haver a “habilitação de novas indústrias e a ampliação para novos mercados”.
“Outros mercados como a União Europeia (UE) que o Brasil exporta pouco, mas que é um mercado bastante interessante, e nós estamos nos preparando para atender às exigências da UE. As demandas ambientais da União que recaem sobre o Brasil, sobretudo na Amazônia, então temos trabalhado com afinco pela rastreabilidade, por exemplo, para merecer também a preferência da União Europeia”, observa.
Dados disponibilizados pela plataforma Datagro, consultoria agrícola independente que produz levantamentos e análises sobre commodities agrícolas, apontam o preço da arroba no Pará em R$ 292,62. O valor foi atualizado na última quarta-feira (8). Outros estados como Tocantins (TO), Bahia (BA) e Rondônia (RO) também demonstram o mesmo comportamento de preço, com R$ 290,76, R$ 286,89 e R$ 270,79 respectivamente.
Para o zootecnista da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa) Guilherme Minssen apesar dos números positivos, ainda é necessário haver segurança jurídica e ambiental para que o setor cresça ainda mais. Isso, somado à necessidade de facilitar o acesso a crédito, seja para manutenção ou investimentos, representam os principais entraves do setor, na sua visão.
“Recurso financeiro não vem sem ter segurança ambiental e segurança jurídica. Esses três pontos são, hoje, as grandes travas da pecuária. A Embrapa calcula que, nos próximos 30 anos, 50% dos produtores rurais de hoje irão sair do mercado. Repito, 50%, metade de quem está produzindo hoje, vai sair do mercado conforme os dados da Embrapa”, afirma.
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Futuro
Os resultados nos próximos anos podem não ser tão satisfatórios, segundo as projeções de Minssen. Ele lembra que, há alguns anos, o estado enfrentou um abate desenfreado de bovinos, incluindo as fêmeas, devido à descapitalização dos pecuaristas, o que deve refletir na falta de carne para exportação em breve. “Tivemos um abate no estado do Pará de até 34% das matrizes-prenhas, que estavam ainda em gestação, ou seja, vai faltar a carne desse bezerro”, explica. Além disso, ele afirma que a “produção não aumentou, pelo contrário, apertou ainda mais, com problemas diferentes, principalmente na questão de logística dentro do estado”.
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