'O Cortiço' retorna aos palcos em Belém e celebra 10 anos da Casa de Artes Tiago de Pinho

Espetáculo será apresentado no Teatro Margarida Schivasappa, misturando drama e comédia para abordar temas como racismo, desigualdade e luta de classes que ainda ecoam na realidade brasileira

Matheus Viggo

Aclamado como um dos marcos do naturalismo brasileiro, O Cortiço, de Aluísio Azevedo, retorna aos palcos de Belém com uma nova montagem que marca os 10 anos da Casa de Artes Tiago de Pinho. Com cinco temporadas de sucesso e recorde de público, o espetáculo será apresentado neste sábado (05) e domingo (06), às 19h30, no Teatro Margarida Schivasappa, com ingressos promocionais a R$ 40.

A peça acompanha a história de Bertoleza, uma mulher escravizada que conquista sua liberdade pagando mensalmente ao senhor Freitas de Melo, e João Romão, um imigrante português sem escrúpulos que se aproxima dela para enriquecer. Com o dinheiro da companheira, João compra um terreno no Rio de Janeiro e funda o cortiço que dá nome à obra. Ali, trabalhadores pobres constroem suas vidas em meio a um ambiente de exploração, transformações sociais e desigualdades, retratando um prenúncio das futuras favelas brasileiras.

Na adaptação dirigida por Tiago de Pinho, o espetáculo ganha uma leveza cênica em alguns momentos, alternando drama e comédia. “Foi uma escolha da direção suavizar e enredar para a comédia, até mesmo para que o espetáculo ganhasse um tom mais engraçado, apesar das cenas fortíssimas presentes na história”, explica Tiago. “Costumo fazer uma ligação entre O Cortiço e a vida: as tragédias e momentos difíceis chegam a qualquer momento e quase nunca estamos preparados”, complementa.

A atriz Graciane Gonçalves, que interpreta Bertoleza, destaca como os temas do romance de 1890 continuam atuais. “A peça aborda temas como escravidão, racismo, misoginia, desigualdades socioeconômicas e a visão da mulher na sociedade da época. Infelizmente, essas questões ainda são atuais no Brasil, que detém o maior número de feminicídios no mundo, com mulheres pretas sendo as principais vítimas”, afirma.

Graciane reforça que sua personagem carrega marcas profundas da realidade brasileira: “Ainda hoje, somos julgadas pela cor da nossa pele, pela nossa classe social e sofremos diversas formas de violência diariamente. Esses problemas persistem como um retrato sombrio da sociedade.” Para ela, O Cortiço é uma experiência intensa para o público: “É uma adaptação que te leva do choro ao riso. Espero que o público se divirta, mas saia de lá tocado com cada história que será contada.”

Mais do que entreter, Graciane quer provocar reflexão: “Como mulher preta, nascida na periferia, desejo tocar o coração de cada pessoa preta que assistir. Bertoleza carrega dores que ainda estão presentes em nossa sociedade. Espero que, após assistir, o público reflita sobre seus próprios comportamentos e se questione, se em algum momento, não reproduziu alguns dos padrões problemáticos abordados na peça.”

No elenco também estão Isabela Arouck, Alle Peixoto, Júlia Passos, Vitor Ayan e outros nomes da cena teatral paraense. A trilha sonora é interpretada ao vivo pela cantora Renata Del Pinho, com clássicos da MPB e do samba que embalam a narrativa com uma atmosfera popular e emocionante. Além de O Cortiço, a Casa de Artes Tiago de Pinho promete uma programação especial ao longo de 2025 para comemorar sua trajetória. Espetáculos como Musical Popular Paraense, Leona Vingativa e O Auto da Compadecida fazem parte da agenda comemorativa. Ao longo de uma década, a instituição se consolidou como um polo criativo e formador em Belém, revelando nomes como Helena Bastos, Aline Serra e Alane Dias.

 

Serviço
O Cortiço
Datas: 5 e 6 de abril de 2025
Local: Teatro Margarida Schivasappa – Centur
Endereço: Av. Gentil Bitencourt, 650 – Batista Campos
Horário: 19h30
Ingressos: R$ 40 (preço promocional)
Informações: (91) 98228-5353 ou www.tiagodepinho.com

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