Após samba da Portela, 'Um Defeito de Cor' é o livro mais vendido da Amazon
A escola de samba Portela levou para a avenida este ano um enredo emocionante inspirado na obra de Ana Maria Gonçalves, "Um Defeito de Cor", lançada em 2006.
O desfile da Portela, nesta segunda-feira (12), mostrou que o Carnaval vai muito além de folia. O livro de Ana Maria Gonçalves, "Um Defeito de Cor", ficou em primeiro lugar entre as obras mais vendidas da Amazon após ter sido representada no samba-enredo da Portela, na Sapucaí.
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A escola de samba Portela levou para a avenida este ano um enredo emocionante inspirado na obra de Ana Maria Gonçalves, "Um Defeito de Cor", lançada em 2006. Abordando a importância do afeto e da ancestralidade feminina, a agremiação levou às lágrimas os espectadores presentes.
Uma dos momentos mais marcantes da escola na avenida foi a presença de mães de dezesseis vítimas de violência no Rio de Janeiro, que desfilaram no carro alegórico intitulado "Um Defeito de Cor". Entre elas, estavam figuras emblemáticas como Marinete Silva, mãe de Marielle Franco, vereadora assassinada em março de 2018, e Jackeline Oliveira, mãe de Kathlen Romeu, grávida morta no Lins em 2021.
Ana Maria Gonçalves, autora do livro que inspirou o enredo, expressou sua emoção com a homenagem da Portela. "É uma perspectiva muito interessante", afirmou Ana Maria, que até então não tinha muita conexão com o Carnaval. "Uma forma de homenagear todas as mães negras do Brasil, as mães da Portela e principalmente aquelas que não puderam criar seus filhos", explicou a autora.
O impacto do desfile foi notável não apenas nas arquibancadas, mas também nas vendas do livro. "Um Defeito de Cor" amanheceu no dia seguinte ao desfile em primeiro lugar nas obras mais vendidas da Amazon, com a edição especial lançada em 2022 em quinto lugar.
Sobre o livro, Ana Maria Gonçalves destacou sua narrativa baseada em uma intensa pesquisa documental. A obra narra oitenta anos da formação da sociedade brasileira através da história de Kehinde, uma mulher sequestrada, escravizada e trazida para o Brasil, onde foi batizada como Luísa.
A protagonista é inspirada em Luísa Mahin, que teria participado da célebre Revolta dos Malês. Ana Maria Gonçalves revelou ainda seu desejo de levar a história para o audiovisual, destacando uma oportunidade quase concretizada em 2020. "A Globo me procurou para falar sobre a possibilidade de sair uma supersérie sobre o livro, mas o contrato venceu e não penso em renovar. Mas acho que em algum momento vai acontecer", destacou a autora.
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