Como será?

Em um ano tão difícil e atípico, ressignificar tornou-se um dos verbos mais conjugados, em um esforço de encontrar razões para manter-se firme ao propósito de crer em dias melhores. Não poderia ser diferente em relação ao Círio – até porque ele ocorrerá, mas em formato diferente, e, novamente, caberá a cada um de nós compreender seu significado maior: Nossa Senhora de Nazaré habita em todos os lares e corações. Aqui você lê um pouco mais sobre as reformulações e adaptações feitas para que os ritos cheguem aos fiéis.
Está encrustado no DNA do paraense: esperamos o segundo domingo de outubro chegar como quem tem encontro marcado desde sempre, desde antes de nosso desembarque neste mundo físico. Mesmo em face do cenário de crise global, as famílias paraenses celebrarão o Círio de número 228, cujo tema é “Ave Maria, cheia de graça”. “Para nós, o Círio vai acontecer e deve acontecer, ainda que tenhamos muitas adaptações a fazer. Um Círio diferente, tarefa de todos nós, cristãos católicos que o assumimos como missão, dando exemplo a todos de que somos capazes de abraçar também as cruzes e limitações que nos vieram durante este período!”, afirmou o Arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira, em pronunciamento oficial.
Mesmo não contando com o público/fieis nas ruas da capital paraense, uma intensa programação foi pensada e ajustada para o momento, como a transmissão das missas de apresentação do manto, a bênção da corda, a descida do Glória (quando a imagem original desce do altar-mor e fica mais próxima dos fieis). Na tarde do sábado, ocorrerá a missa da Trasladação e no domingo, as missas do Círio (da abertura e chegada da Santa à Basílica). Segundo a Arquidiocese Metrolopolitana, no decorrer das próximas duas semanas, haverá outras missas que serão presididas por vários bispos convidados.
A corda vai para onde?
Um dos símbolos mais importantes da procissão, a corda, será dividida em 95 partes, que serão abençoadas e enviadas para as 95 paróquias da Arquidiocese. Neste domingo, todas as paróquias terão missas com entrada solene da imagem de Nossa Senhora de Nazaré envolta com a corta do Círio. “É um simbolismo de unidade”, explicou Dom Alberto Taveira.
E neste domingo?
Haverá missa (com transmissão simultânea pela TV e rádios) às 7h – uma celebração da “abertura do Círio”. Para além dos membros do clero e poucas autoridades, não será possível participar deste momento – uma medida de segurança para contenção da propagação do vírus.
A Imagem Peregrina sobrevoará a cidade, em uma benção para lá de especial, vinda, literalmente, do céu. Esse momento tão bonito ocorrerá a partir das 8h da manhã, para que às 11h, ela chegue no Centro Arquitetônico de Nazaré (CAN), com uma benção e, em seguida, com missa presidida por Dom Antônio de Assis Ribeiro, Bispo Auxiliar de Belém, na Basílica Santuário. Este momento, tradicionalmente, é a chegada do Círio.
No fim da tarde, às 18 horas, haverá uma nova missa – sendo essa de abertura da Quadra Nazarena e uma hora depois, às 19h, uma outra celebração dará início ao Círio Musical.
De 12 a 15 de outubro
A Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré percorrerá inúmeras instituições e hospitais de Belém e região metropolitana. A partir do meio dia, a Imagem ficará no altar principal da praça do CAN para visitação. É importantíssimo frisar que há um esquema traçado para conduzir esse momento com o máximo de segurança aos fiéis, com distanciamento social, uso de máscaras e álcool gel.
Nesse período, todos os dias, haverá três missas por dia na Basílica de Nazaré: logo pela manhã, às 7 horas, a Santa Missa. Às 18 horas, a missa será da Quinzena do Círio (quadra Nazarena) e às 19 horas, Círio Musical.
São significativamente importantes as adaptações na extensa e variada programação, para que todos os devotos se sintam tocados, contemplados.
Maria é um exemplo a ser seguido
Em mensagem oficial endereçada à Arquidiocese Metropolitana de Belém, no fim de agosto, o Papa Francisco irmanou-se aos paraenses, por ocasião de um ano “marcado por numerosos desafios e tribulações”. “No meio desta pandemia que causa tanta aflição e transtorno, impedindo inclusive que se realize a tradicional procissão do Círio, o Santo Padre convida a levantar o ‘olhar para Maria, a Mãe que Cristo nos deixou’ e que ‘embora seja única Mãe de todos, manifesta-Se de distintas maneiras na Amazônia’ (Exort. Apost. Querida Amazônia, 111), pedindo-Lhe que interceda junto ao seu divino Filho, a fim de que esta dura prova termine e todas as famílias mergulhadas no sofrimento possam encontrar o consolo e a paz. Além disso, seguindo o exemplo da Virgem de Nazaré, que nunca esmoreceu perante as dificuldades, todos batizados não deixem diminuir o ardor missionário, certos de que, ‘para quantos encontraram (Jesus Cristo), vivem na sua amizade e se identificam com a sua mensagem, é inevitável falar d’Ele e levar aos outros a sua proposta de vida nova’”.
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