Síndrome Mão-Pé-Boca gera alerta no Brasil; veja cuidados e tratamentos

A pediatra infectologista da Sociedade Paraense de Pediatria esclarece que a SMPB atinge principalmente crianças

Hannah Franco | Especial em OLiberal
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Febre, vômito e diarreia são os primeiros sinais. Dias depois, surgem pequenas manchas avermelhadas nas mãos e nos pés, acompanhadas de feridas dolorosas na boca. Assim se manifesta a Síndrome Mão-Pé-Boca (SMPB), uma infecção viral que tem preocupado pais e profissionais da saúde no Brasil nas últimas semanas.

Causada pelo vírus Coxsackie, a doença afeta principalmente crianças e pode comprometer atividades básicas do dia a dia, como se alimentar, caminhar e segurar objetos.

A SMPB tem sintomas semelhantes aos da catapora, o que pode gerar confusão entre pais e profissionais de saúde. A pediatra infectologista Cleonice Aguiar, da Sociedade Paraense de Pediatria, destaca a importância do diagnóstico correto. “O sistema imunológico das crianças ainda não está completamente formado. Crianças abaixo de cinco anos estão finalizando a construção do seu sistema imunológico, tornando-se mais suscetíveis à infecção. Além disso, elas têm menos anticorpos e ainda não foram expostas aos tipos de vírus causadores da síndrome mão-pé-boca”, explica a especialista.

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Embora a doença possa atingir qualquer pessoa, as crianças são o grupo mais vulnerável. Além disso, há casos em que a infecção pode se agravar, especialmente em pacientes imunossuprimidos ou que fazem uso prolongado de corticoides. “Crianças com problemas neurológicos, cardiológicos ou renais, além daquelas com outras doenças associadas, estão mais suscetíveis a formas mais graves da síndrome”, alerta Cleonice.

Sintomas e diagnóstico

Os sinais clínicos mais comuns da SMPB incluem febre alta, mal-estar, falta de apetite e lesões avermelhadas que evoluem para pequenas bolhas nas palmas das mãos, plantas dos pés e, em alguns casos, na região genital e nádegas. Feridas dolorosas também surgem na boca, faringe e amídalas, tornando difícil a alimentação e provocando excesso de salivação.

De acordo com a pediatra, o diagnóstico da doença é feito principalmente com base na avaliação clínica e epidemiológica. "Se a criança apresentar febre e lesões características na pele, especialmente nas mãos, pés e boca, além de frequentar um ambiente onde há outros casos, já se pode suspeitar da infecção", explica. 

"Alguns casos podem ser diagnosticados através de sorologia, procura de anticorpos no sangue, mas esses são exames mais tardios, e podem ser falso-positivos ou falso-negativos, dependendo do tempo em que forem coletados", diz Cleonice.

Quando buscar ajuda médica?

Embora a maioria dos casos seja leve e se resolva espontaneamente, algumas situações exigem atenção médica imediata. "Os pais devem se preocupar e procurar a urgência se, além das lesões, a criança apresentar sinais de convulsão ou febre muito alta ou dificuldade para se alimentar, sinais de desidratação ou mesmo irritabilidade ou sonolência porque pode significar complicação da doença", alerta a especialista.

Outro fator importante é que a doença pode ocorrer mais de uma vez. "A criança pode ser infectada novamente, por isso é muito importante que ela faça avaliação médica em todas as vezes em que ela adoecer, para que possa ser identificado qual a fase da doença que a criança está e qual a melhor alternativa de manejo daquele momento da doença pelo médico", detalha a pediatra.

Cuidados e transmissão

Os cuidados são essenciais para prevenir complicações na SMPB. De acordo com a especialista, a transmissão ocorre pelo contato direto com gotículas de saliva, secreção das lesões e até superfícies contaminadas.

"Criança doente falando próximo ou estando próximo no contato pele a pele com outras crianças e objetos contaminados também com líquido de lesão, como brinquedos, fraldas descartáveis com fezes, mãos que não foram higienizadas adequadamente também podem conter o vírus que tem uma eliminação muito grande nas fezes", explica Cleonice.

"É essencial manter a criança em casa ao apresentar febre ou lesões, além de higienizar brinquedos e utensílios compartilhados. Cuidadores também devem lavar bem as mãos, principalmente após trocar fraldas, pois o vírus é eliminado em grande quantidade nas fezes", alerta Cleonice.

Prevenção

Em caso de sintomas, a recomendação é que a criança permaneça afastada da escola ou creche até a recuperação completa, que costuma levar de 7 a 10 dias. "A melhor prevenção é a criança permanecer em casa sem frequentar espaços compartilhados como creche e escola, no momento em que apresenta febre ou qualquer lesão associada", explica a pediatra.

"Outra forma de prevenção é higienizar bastante os brinquedos, aos utensílios que a criança tem acesso de forma compartilhada, e também higienizar muito bem as mãos do cuidador que faz a higiene da criança após evacuação, principalmente em creches escolas, porque a criança pode, mesmo sem lesões, estar eliminando nas fezes o vírus", completou.

Confira algumas orientações para evitar a disseminação da doença:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabão;
  • Evitar contato próximo com crianças infectadas;
  • Manter brinquedos e superfícies limpas e desinfetadas;
  • Não compartilhar copos, talheres e toalhas;
  • Reforçar a hidratação e oferecer alimentação leve;
  • Procurar atendimento médico ao surgirem os primeiros sintomas.

 

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