Esclerose múltipla: sintomas podem ser confundidos e atrasar o diagnóstico, alerta neurologista

Entenda os desafios do diagnóstico e os avanços no tratamento da doença, recentemente diagnosticada na modelo paraense Carol Ribeiro

Eva Pires | Especial para O Liberal
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A esclerose múltipla é uma doença neurológica autoimune crônica que afeta o sistema nervoso central, comprometendo a bainha de mielina que reveste os neurônios. Mais comum em adultos entre 20 e 40 anos, especialmente mulheres, a condição pode ser de difícil diagnóstico por apresentar sintomas semelhantes aos de outras doenças. Na última segunda-feira (31), a modelo e apresentadora paraense Carol Ribeiro revelou ter recebido o diagnóstico após mais de um ano confundindo os sinais com os da menopausa. O médico neurologista Lucas Freitas, de Belém, explica os desafios para identificar a doença que dificultam o diagnóstico precoce. Além disso, ele ressalta que o avanço dos tratamentos tem aumentado progressivamente a qualidade de vida dos pacientes. 

No Brasil, cerca de 40 mil brasileiros convivem com a doença, sendo 85% mulheres jovens e brancas, entre 18 e 30 anos, conforme a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM).

O especialista explica que a esclerose múltipla é uma doença autoimune sem uma causa única definida. O desenvolvimento da enfermidade está relacionado a fatores de risco como baixa exposição à luz solar, deficiência de vitamina D, obesidade, contato com determinados vírus, como o Epstein-Barr, e poluição. Ele destaca que a predisposição genética, aliada à exposição a esses fatores, contribuem para o surgimento da doença.

Por apresentar uma ampla variedade de sintomas, a esclerose múltipla pode ser confundida com diversas condições neurológicas e reumatológicas, como AVC, inflamações na medula, perda visual, lúpus e fibromialgia. "Como os sintomas são muito variados, às vezes, o diagnóstico pode demorar, por não se pensar necessariamente de primeira na esclerose múltipla", pontua Freitas.

O médico explica que a fadiga e as alterações cognitivas, comuns na doença, podem levar a uma associação equivocada com a menopausa, especialmente porque a esclerose múltipla afeta mais mulheres. No entanto, essa confusão não ocorre com frequência.

Ciclo de surtos e remissões é característico da doença

Os sintomas mais comuns incluem perda súbita de visão, dormência, formigamento, perda de força e equilíbrio, além de alterações na memória. Essas manifestações surgem de forma aguda ou subaguda, instalando-se em poucos dias. A maioria dos casos apresenta um padrão de surtos e remissões, com piora dos sintomas seguida de melhora espontânea, parcial ou completa.

O ciclo de agravamento e recuperação progressiva, mesmo sem tratamento imediato, é uma característica marcante da esclerose múltipla. "Esse comportamento de melhorar e piorar chama bastante atenção para a doença", observa o médico.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da esclerose múltipla envolve a análise da história clínica do paciente, considerando padrões de piora e melhora dos sintomas, além do exame físico. Para confirmação, são realizados exames complementares, como a ressonância magnética do cérebro e da coluna com contraste. Em alguns casos, é necessário realizar a punção lombar para análise do líquido cefalorraquidiano, além de exames laboratoriais para excluir outras condições, como infecções e doenças autoimunes.

Tratamentos e prevenção

O tratamento da esclerose múltipla é dividido em duas abordagens: o controle dos surtos e a prevenção de novas crises. As pioras agudas são tratadas com corticóides em altas doses, enquanto o tratamento preventivo é personalizado para cada paciente, podendo ser administrado por via injetável ou oral.

"As drogas modificadoras da doença são fornecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e por planos de saúde", informa o médico sobre os medicamentos que ajudam a reduzir o risco de sequelas. Além disso, ele menciona que existem terapias para alívio de sintomas específicos, como fadiga e formigamento, e suporte com fisioterapia para melhora da força muscular.

Embora a esclerose múltipla não possa ser completamente prevenida, algumas medidas podem reduzir o risco de seu desenvolvimento. A exposição adequada à luz solar, evitando a deficiência de vitamina D, e a vacinação para prevenir infecções virais recorrentes são fatores importantes.

Além disso, ele pontua que um estilo de vida saudável, incluindo alimentação balanceada, prática regular de atividade física e cuidados com a saúde mental, pode contribuir para minimizar os impactos da doença.

Avanço nos tratamentos possibilitam uma vida normal aos pacientes, diz neurologista

A rotina de uma pessoa com esclerose múltipla exige cuidados contínuos com a saúde física e mental. O controle do estresse, da ansiedade e de sintomas depressivos é fundamental, pois esses fatores podem agravar a condição. Ainda, a prática regular de atividades físicas e a exposição à luz solar também são recomendadas, enquanto a exposição a temperaturas elevadas deve ser evitada, pois pode desencadear a piora dos sintomas.

Já em relação às adaptações, no dia a dia, elas variam conforme o grau de sequelas da doença. Alguns pacientes podem precisar de auxílio para locomoção, como andadores ou corrimãos, devido à perda de equilíbrio, enquanto aqueles com comprometimento visual podem necessitar de apoio de outras pessoas para se orientar nos ambientes.
Apesar das possíveis limitações, Lucas Freitas destaca que muitas pessoas com esclerose múltipla conseguem manter uma rotina ativa, incluindo trabalho e afazeres diários, devido ao avanço dos tratamentos.

"O paciente pode ter uma vida normal, trabalhar, dar conta dos seus afazeres, dependendo do grau de dependência de sequela que ele tem. Pelo desenvolvimento de novos tratamentos e pela variedade de tratamentos disponíveis hoje, tem sido cada vez mais possível conviver com a esclerose e ter uma vida mais próxima do normal. Levar um estilo de vida saudável também contribui para que o paciente tenha uma maior qualidade de vida", conclui.

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