Entenda o que é a ELA, doença que deixou Duciomar Costa em cadeira de rodas há seis anos
Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) afeta o sistema nervoso de forma degenerativa e progressiva, provocando paralisia motora irreversível
No ano de 2017, quando foi preso sob a acusação de desvio de recursos da Prefeitura, Duciomar Costa chamou a atenção de muitas pessoas ao chegar à sede da Polícia Federal em Belém em cadeira de rodas. O estado de saúde do ex-prefeito passou a ser um dos assuntos comentados na época e descobriu-se, então, que ele fazia tratamento contra Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma das principais doenças neurodegenerativas ao lado das doenças de Parkinson e Alzheimer. Uma fonte ligada a Duciomar informou que ele foi diagnosticado com a doença em 2015.
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De acordo com informações divulgadas no portal do Ministério da Saúde, a ELA afeta o sistema nervoso de forma degenerativa e progressiva, provocando paralisia motora irreversível. Ela é mais prevalente em pessoas entre 55 e 75 anos de idade e não tem cura.
Ainda segundo o Ministério da Saúde, a doença também provoca a morte precoce do paciente, como resultado da perda de capacidades cruciais, como falar, movimentar, engolir e até mesmo respirar. O óbito, em geral, ocorre entre três e cinco anos após o diagnóstico, mas cerca de 25% dos pacientes sobrevivem por mais tempo.
Pessoas próximas ao ex-prefeito informaram que, além da perda dos movimentos, que o forçaram ao uso da cadeira de rodas, ele também já apresenta dificuldades na fala. O desconforto respiratório é outro sintoma observado.
Um dos portadores de ELA mais conhecido mundialmente foi o físico britânico Stephen Hawking, que morreu em 2018.
Veja o que se sabe sobre a ELA
Quais as causas?
Ainda não são conhecidas, mas sabe-se que em cerca de 10% dos casos ela é causada por um defeito genético. Na prática, os neurônios dos pacientes acometidos pela doença se desgastam ou morrem e já não conseguem mais mandar mensagens aos músculos.
Outras causas que podem estar relacionadas com a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) são: Mutação genética; Desequilíbrio químico no cérebro (níveis de glutamato mais elevado), o que é tóxico para as células nervosas; Doenças autoimunes; Mau uso de proteínas.
Existem fatores ou comportamentos de risco?
Não. No entanto, sabe-se que parentes próximos de alguém que tenha a doença têm chances de adquiri-la também, tendo em vista que uma das causas são exatamente os fatores genéticos/hereditários. Nesses casos recomenda-se fazer acompanhamento médico periódico.
Quais são os sintomas?
Perda gradual de força e coordenação muscular; incapacidade de realizar tarefas rotineiras, como subir escadas, andar e levantar; dificuldades para respirar e engolir; engasgar com facilidade; babar; gagueira (disfemia); cabeça caída; cãibras musculares; contrações musculares; problemas de dicção, como um padrão de fala lento ou anormal (arrastando as palavras); alterações da voz, rouquidão; perda de peso.
A ELA não afeta os sentidos (visão, olfato, paladar, audição e tato) e raramente atinge o funcionamento da bexiga, dos intestinos ou a capacidade de pensamento e raciocínio de uma pessoa.
Como é feito o diagnóstico?
Inicialmente, por meio de análise clínica e exame físico, que pode mostrar algumas deficiências físicas, sinais e sintomas que podem estar relacionados à doença. Podem haver, por exemplo, tremores, espasmos e contrações musculares, ou perda de tecido muscular (atrofia), entre outros sintomas.
Para confirmar o diagnóstico, o médico especialista pode solicitar exames de sangue, para descartar outras doenças; teste respiratório, para verificar se os músculos do pulmão foram afetados; tomografia computadorizada ou ressonância magnética da coluna cervical, para garantir que não exista uma doença ou lesão no pescoço, que pode ser semelhante à ELA; eletromiografia, para ver quais nervos não funcionam corretamente; teste genético, se houver um histórico familiar de ELA; tomografia computadorizada ou ressonância magnética da cabeça, para excluir outras doenças/estudos de condução nervosa; testes de deglutição; punção lombar.
Como é feito o tratamento?
Começa com um medicamento chamado riluzol, que é distribuído gratuitamente por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele reduz a velocidade de progressão da doença e prolonga a vida do paciente. Fisioterapia, reabilitação, uso de órteses, de uma cadeira de rodas ou outras medidas ortopédicas podem ser necessárias para maximizar a função muscular e o estado de saúde geral, conforme cada caso e de acordo com a evolução da doença.
Também é necessário o acompanhamento de um nutricionista, pois os pacientes tendem a perder peso.
No âmbito da reabilitação, a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) pode englobar medidas relacionadas à dor, prevenção de contraturas musculares e articulares fixas com uso de órteses, tratamento das dificuldades da fala, da deglutição, dificuldades respiratórias e suporte familiar. Esses tratamentos podem ser feitos nos Centros Especializados em Reabilitação do SUS.
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