MENU

BUSCA

PF Indicia 37, incluindo Bolsonaro e os generais Braga Netto e Heleno

Relatório final da investigação foi concluído nesta tarde e enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF)

O Liberal

A Polícia Federal indiciou, nesta quinta-feira (21/11), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e antigos membros de seu governo sob as acusações de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado e participação em organização criminosa. Os crimes investigados preveem penas que variam entre 3 e 12 anos de prisão (confira as punições detalhadas abaixo).


O inquérito apura ações relacionadas à tentativa de manter Bolsonaro no poder, mesmo após sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022. A PF investiga essas iniciativas desde o ano passado, abrangendo o período entre a vitória de Lula e os primeiros meses de seu mandato em 2023, quando ameaças ao Estado democrático foram identificadas.

Além de Bolsonaro, também foram indiciados pelos mesmos crimes:

  • General da reserva Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, além de candidato a vice-presidente na chapa derrotada em 2022;
  • General da reserva Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
  • Alexandre Ramagem, policial federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  • Valdemar da Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), partido de Bolsonaro.

O relatório final da investigação, com mais de 800 páginas, foi concluído nesta tarde e será enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, cabe à Procuradoria-Geral da República (PGR) decidir se apresentará denúncia contra os indiciados. Caso o STF aceite a denúncia, eles passarão a ser réus e serão submetidos a julgamento.

Penas previstas:

  • Golpe de Estado: de 4 a 12 anos de prisão;
  • Abolição violenta do Estado democrático de Direito: de 4 a 8 anos de prisão;
  • Participação em organização criminosa: de 3 a 8 anos de prisão.

Veja a lista dos indiciados:

  1. AILTON GONÇALVES MORAES BARROS
  2. ALEXANDRE CASTILHO BITENCOURT DA SILVA
  3. ALEXANDRE RODRIGUES RAMAGEM
  4. ALMIR GARNIER SANTOS
  5. AMAURI FERES SAAD
  6. ANDERSON GUSTAVO TORRES
  7. ANDERSON LIMA DE MOURA
  8. ANGELO MARTINS DENICOLI
  9. AUGUSTO HELENO RIBEIRO PEREIRA
  10. BERNARDO ROMAO CORREA NETTO
  11. CARLOS CESAR MORETZSOHN ROCHA
  12. CARLOS GIOVANI DELEVATI PASINI
  13. CLEVERSON NEY MAGALHÃES
  14. ESTEVAM CALS THEOPHILO GASPAR DE OLIVEIRA
  15. FABRÍCIO MOREIRA DE BASTOS
  16. FILIPE GARCIA MARTINS
  17. FERNANDO CERIMEDO
  18. GIANCARLO GOMES RODRIGUES
  19. GUILHERME MARQUES DE ALMEIDA
  20. HÉLIO FERREIRA LIMA
  21. JAIR MESSIAS BOLSONARO
  22. JOSÉ EDUARDO DE OLIVEIRA E SILVA
  23. LAERCIO VERGILIO
  24. MARCELO BORMEVET
  25. MARCELO COSTA CÂMARA
  26. MARIO FERNANDES
  27. MAURO CESAR BARBOSA CID
  28. NILTON DINIZ RODRIGUES
  29. PAULO RENATO DE OLIVEIRA FIGUEIREDO FILHO
  30. PAULO SÉRGIO NOGUEIRA DE OLIVEIRA
  31. RAFAEL MARTINS DE OLIVEIRA
  32. RONALD FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR
  33. SERGIO RICARDO CAVALIERE DE MEDEIROS
  34. TÉRCIO ARNAUD TOMAZ
  35. VALDEMAR COSTA NETO
  36. WALTER SOUZA BRAGA NETTO
  37. WLADIMIR MATOS SOARES


Veja íntegra da nota da Polícia Federal:

A Polícia Federal encerrou nesta quinta-feira (21/11) investigação que apurou a existência de uma organização criminosa que atuou de forma coordenada, em 2022, na tentativa de manutenção do então presidente da República no poder.

O relatório final foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal com o indiciamento de 37 pessoas pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa.

VEJA MAIS

Em áudio, general afirmou que Bolsonaro deu aval para suposto golpe até 31/12
General relatou conversa a Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro

La Casa de Papel? Grupo que planejava matar Lula e Moraes usava países como codinomes
"Kids pretos", como eram chamados os militares envolvidos, previam matar o presidente Lula com envenenamento e o ministro Alexandre de Moraes com explosivos

General e 'Kids pretos': quem são os militares presos por suposto plano para matar Lula e Alckmin
Operação Contragolpe identificou um "planejamento operacional" para o assassinato do presidente Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin

As provas foram obtidas por meio de diversas diligências policiais realizadas ao longo de quase dois anos, com base em quebra de sigilos telemático, telefônico, bancário, fiscal, colaboração premiada, buscas e apreensões, entre outras medidas devidamente autorizadas pelo poder Judiciário.

As investigações apontaram que os investigados se estruturaram por meio de divisão de tarefas, o que permitiu a individualização das condutas e a constatação da existência dos seguintes grupos:

a) Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral;
b) Núcleo Responsável por Incitar Militares à Aderirem ao Golpe de Estado;
c) Núcleo Jurídico;
d) Núcleo Operacional de Apoio às Ações Golpistas;
e) Núcleo de Inteligência Paralela;
f) Núcleo Operacional para Cumprimento de Medidas Coercitivas
Com a entrega do relatório, a Polícia Federal encerra as investigações referentes às tentativas de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Política