Eleito para o Senado pelo Pará nas eleições de 2026, Chicão defendeu a construção de uma relação de diálogo com o novo governo do Estado e afirmou que a oposição não deve se transformar em confronto permanente. Em entrevista ao Grupo Liberal, o senador eleito também avaliou que a polarização política teve influência no resultado das urnas e criticou o que classificou como um cenário de “extremismo” no país.
Para Chicão, o fato de o novo governo ser de um grupo político diferente daquele que o elegeu não significa que parlamentares devam adotar uma postura de enfrentamento automático. Segundo ele, a posição no Senado e na Assembleia Legislativa deve ser definida de acordo com o conteúdo de cada proposta.
“Se for uma pauta construtiva para o Estado, nós temos que votar junto com o governo. Se não for, aí sim temos que nos posicionar”, afirmou.
Senador defende diálogo com governo
Chicão reconheceu que existem diferenças entre os projetos políticos que disputaram as eleições deste ano. Ele citou como exemplo as posições sobre contratos de privatização de rodovias e saneamento e afirmou que, nesses casos, haverá divergências entre os grupos.
Apesar disso, o senador eleito disse que pretende atuar ao lado do governo quando estiverem em discussão medidas que considere positivas para a população paraense.
“Uma coisa é certa: o que for de interesse da população do Estado, nós vamos estar juntos. Agora, os projetos que não forem de interesse da população, nós não podemos concordar”, declarou.
A mesma lógica, segundo Chicão, deve orientar a relação entre o Executivo e a Assembleia Legislativa do Pará. O MDB elegeu a maior bancada da Casa, com 13 deputados estaduais. União Brasil e PP, que formaram a federação União Progressista, elegeram cinco parlamentares. Já os partidos que integram o grupo de oposição ao novo governo somaram 10 cadeiras, segundo a composição definida nas urnas.
Para o senador eleito, o tamanho das bancadas torna necessário construir uma relação de diálogo entre os diferentes grupos políticos.
“O governo ganhou a eleição e agora nós temos que ser inimigos, brigar? Não. Nós temos que ver qual é a pauta”, afirmou.
Polarização marcou eleição
Na avaliação de Chicão, a polarização ideológica também foi determinante para o resultado da eleição para o governo do Estado. Ele atribuiu parte da vitória de Daniel ao desempenho do candidato junto ao eleitorado de direita.
“Eu reputo a eleição do Daniel a essa divisão ideológica, que se aproveitou muito bem do voto da direita, embora ele não seja uma pessoa propriamente da direita, mas conseguiu ter esse voto”, disse.
O senador eleito afirmou que o ambiente de polarização não é exclusivo do Pará e considerou que o país precisa reduzir o nível de confronto político.
“O Brasil vive esse momento, que é muito ruim. As pessoas hoje olham para os outros como se fossem inimigos”, declarou.
Chicão defendeu ainda uma postura de diálogo com parlamentares de diferentes correntes ideológicas e citou a própria relação com adversários políticos como exemplo. Segundo ele, divergências eleitorais não devem impedir a construção de acordos em torno de pautas de interesse do Estado.
“Mas nós temos que construir a unidade deste país. Enquanto este país viver esse clima de extremismo, só perde a população do nosso Estado e também todo o Brasil”, afirmou.

