Velório de professor tem presença da Vaca Bumbá no Pará
A manifestação folclórica era a qual o professor Joseny Santos tanto amava e defendia, relembram os amigos e admiradores

Uma despedida marcada por emoção e homenagens. Foi assim o velório do professor Joseny Santos, no último domingo (23), no bairro da Marambaia, em Belém. A causa de sua morte não foi divulgada. Mais do que um educador, ele foi um agitador cultural, um semeador de arte e resistência, como relembram os amigos e admiradores. E nada simbolizaria melhor seu legado do que a presença da Vaca Bumbá Rosinha Cheirosa, manifestação folclórica que ele tanto amava e defendia.
Joseny, segundo os amigos, não foi apenas um professor. Foi um movimento. Dentro e fora da sala de aula, carregava a cultura popular no peito e nas ações. Atuou onde poucos queriam estar, ensinando música a crianças, levando literatura para jovens e ocupando as ruas com arte.
A designer Meg Lee descreveu sua presença como inesquecível. “Homens como Joseny Santos não partem — eles se multiplicam. Em cada aula que ecoa conhecimento, em cada roda de cultura que se forma, em cada criança que descobre a arte, ele está lá. A Pedra Branca e o Seringal sabem: Joseny não nos deixou. Ele nos sementou”, escreveu ela em uma rede social.
O músico Michel Jardim ressaltou que Joseny viveu intensamente a luta pela democratização da cultura. “Ele era punk não só no estilo, mas na essência. Dedicou a vida a ações concretas: era professor, músico, vendedor de livros, CDs, vinis, e acima de tudo, um mobilizador incansável”, relembrou.
Joseny não romantizava sua missão. Sabia das dificuldades e enfrentava cada uma delas com coragem. Michel relembra seu compromisso com o ensino. “Suas aulas de percussão para crianças não eram só sobre música, mas sobre dar voz a quem é silenciado. Com instrumentos conseguidos no suor do dia a dia, ele ensinou que ritmo pode ser instrumento de resistência”, observou.
“Ele não queria flores. Queria que continuássemos. Que ocupemos as praças, ensinemos sem medo e lembremos que cultura é feita por gente que não desiste”, escreveu Michel.
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