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Estado descentraliza tratamento especializado para pessoas com Transtorno do Espectro Autista

Em 2024, foram realizados mais de 200 mil atendimentos no Pará com equipe multidisciplinar e práticas baseadas em evidências científicas

Agência Pará

O diagnóstico precoce do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e as terapias especializadas foram fundamentais para o sucesso do tratamento de Antoni Cruz, de 5 anos, que desde um ano e três meses é assistido no Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), em Belém. “Antes, ele não se comunicava, hoje já demonstra suas vontades, tem mais contato visual e está mais independente, mesmo sendo não verbal”, relata a mãe Lílian Ataíde. 

Em 2024, a criança passou a ser acompanhada pelo Núcleo de Atendimento ao Transtorno do Espectro Autista (Natea) do CIIR, onde recebe terapias especializadas como Análise do Comportamento Aplicada (ABA), fonoaudiologia e terapia ocupacional. Para a mãe, o progresso do filho é fruto do atendimento personalizado. “Os terapeutas são muito atenciosos e realmente focados no autismo. Diferente de outros serviços, aqui há um cuidado especial com cada criança, e isso faz toda a diferença para o desenvolvimento deles.”

Natea

É uma das inovações implantadas pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) para a assistência a pessoas com autismo. Atualmente, o atendimento pelos núcleos está disponível em Belém, Capanema, Tucuruí e Santo Antônio do Tauá.

Essas unidades fazem parte da contínua implementação da Política Estadual de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que criou na Sespa, em 2020, a Coordenação de Políticas para o Autismo (Cepa)

Cleide Santos, moradora de Marituba, é mãe de Anabel Santos, de 9 anos, diagnosticada com TEA aos quatro. Desde então, Anabel recebe atendimentos no CIIR e no Natea. “Quando chegou aqui ela não falava, não se comunicava e tinha muitas crises. Hoje já senta por alguns minutos e conseguimos sair de casa com mais facilidade. No Natea, aprendi a lidar melhor com ela no dia a dia”, comemora. 

Descentralização

Os Nateas foram planejados para descentralizar o atendimento em polos estratégicos do Estado a usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2024, foram realizados mais de 17 mil atendimentos mensais em todo o Estado do Pará, totalizando mais de 200 mil consultas e atividades terápicas. Cerca de 300 profissionais prestam os serviços especializados.

Em todos esses Nateas já implantados há uma equipe multidisciplinar trabalhando com práticas baseadas em evidências científicas, entre estes estão os profissionais que trabalham com Análise do Comportamento Aplicada (ABA). As terapias auxiliam no desenvolvimento de pessoas com autismo, sejam crianças, adolescentes, adultos ou idosos com diagnóstico fechado ou sob investigação.

“A proposta dos NATEA's é proporcionar atendimento especializado público e de qualidade às pessoas com TEA por todo o estado do Pará, sendo este também seu maior desafio em razão da demanda ascendente e da extensão territorial do estado. Mas ainda é fundamental a colaboração dos municípios para contornar a deficiência de seus serviços em absorver a demanda local; esta parceria com os municípios é a alternativa que contribui para não sobrecarregar o serviço prestado pelo Estado”, ressalta Neyelle Pontes de Lacerda Pereira, coordenadora estadual de Políticas para o Autismo. 

Há outras quatro unidades em construção no Pará, nos municípios de Marabá, Altamira, Breves e Santarém. 

Especialidades

Todos os Nateas contam com médicos de diversas especialidades, terapeutas ocupacionais, psicólogos, fonoaudiólogos, educadores físicos, assistentes sociais e enfermeiros. Além da equipe multiprofissional, os Nateas/Cetea dispõem de espaços voltados para aplicação das intervenções, como salas de terapia individual e em grupo, jardim sensorial, entre outros espaços importantes para o acolhimento dos pacientes e familiares. 

Serviço: Para ser atendido em algum dos Nateas, a pessoa com Transtorno do Espectro Autista, seja criança, adolescente ou adulto, deve passar primeiramente pela Unidade Básica de Saúde (UBS) ou Centro de Atenção Psicossocial (Caps) mais próximo de sua residência a fim de ser colocado no fluxo de regulação, para, finalmente, ser encaminhado ao Núcleo.

Pará