Em 22 anos, número de pessoas de 25 anos ou mais com nível superior cresceu mais de 260% no Pará
Informação faz parte de mais um recorte de dados do Censo 2022 divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira, 26
Dados sobre educação, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quarta-feira (26), apontou apontam que, no Pará, o número de pessoas com 25 anos ou mais com nível superior completo passou de 83.654, em 2000, para 562.396, em 2022 - um aumento de 263,64%. Em 2010, esse número foi de 228.974 pessoas. O levantamento faz parte do bloco de dados do Censo Demográfico 2022: “Educação: resultados preliminares da amostra”.
Em 2000, 69,3% da população paraense com 25 anos ou mais não possuía instrução ou tinha o ensino fundamental incompleto. Esse percentual caiu para 56,5% em 2010 e, em 2022, atingiu 42,6%. Ao mesmo tempo, a parcela de pessoas com ensino fundamental completo e médio incompleto apresentou um aumento, passando de 12,5% em 2000 para 14,8% em 2010 e 15,2% em 2022.
Luiz Cláudio Martins, Analista de Pesquisas do IBGE, destacou que a análise dos últimos três censos revela um aumento no acesso ao ensino superior, tanto em nível local quanto nacional. "A análise dos últimos três censos mostra um aumento notável no acesso ao ensino superior, tanto em nível local quanto nacional. No entanto, é importante reconhecer que esse acesso ainda é inferior quando comparado ao cenário nacional.”, pontuou.
O grupo com ensino médio completo e superior incompleto também registrou acréscimo. Em 2000, 14,1% da população se enquadrava nessa categoria. Em 2010, subiu para 22,3%, atingindo 30,2% em 2022. Já a porcentagem de pessoas com ensino superior completo também evoluiu de 3,3% em 2000, passou para 6,2% em 2010 e chegou a 12,0% em 2022.
Evolução do Nível Superior por Cor ou Raça de 2000 a 2022
O levantamento mostra que, embora o percentual de graduados tenha aumentado em todos os grupos raciais, há diferenças significativas entre eles. No caso de pessoas brancas, o percentual das que tinham 25 anos ou mais com nível superior completo apresentou uma oscilação ao longo das duas últimas décadas: saiu de 5,9%, em 2000 (39.870 pessoas), para 10,7% em 2010 (87.704 pessoas) e alcançou 19,1% em 2022 (170.765 pessoas).
Já o número de pessoas pardas e pretas nessa mesma condição cresceu progressivamente. No caso das pardas, o percentual passou de 2,1%, em 2000 (35.008 pessoas), para 5,0% em 2010 (124.251 pessoas) e 10,3% em 2022 (331.338 pessoas). Já no caso das pretas, a proporção aumentou de 1,5% em 2000 (2.525 pessoas) para 4,5% em 2010 (13.727 pessoas) e 10,5% em 2022 (55.665 pessoas).
A parcela autodeclarada indígena também aumentou nos últimos 20 anos: indo de 1,5% em 2000 (221 pessoas) para 2,5% em 2010 (387 pessoas) e 6,9% em 2022 (1.978 pessoas).
Número Médio de Anos de Estudo por Sexo e Raça
A pesquisa mostra que, quanto ao gênero, nas duas décadas de balanço, as mulheres estudaram por mais tempo que os homens. Quanto à raça ou cor, o tempo de estudo foi maior para para pessoas brancas e amarelas, em comparação a pardos, pretos e indígenas.
A média de anos de estudo da população paraense de 25 anos ou mais, em 2022, foi de 8,6 anos, sendo 8 anos para homens e 9,1 para mulheres. Em relação à cor ou raça, a média de anos de estudo nesta mesma faixa-etária foi: Amarelos (10,9 anos); Brancos (9,6 anos); Pardos (8,4 anos); Pretos (8,0 anos); Indígenas (6,6 anos). No conjunto de municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, a maior média de anos de estudo foi registrada em São Caetano do Sul (SP), com 12,7 anos, e a menor em Breves (PA), com 6,5 anos.
Áreas com Maior Número de Graduados
Em 2022, as cinco áreas de graduação com maior número de graduados no Pará foram:
Formação de Professores sem Áreas Específicas: 123.404 graduados, sendo 105.075 (85%) mulheres e 18.329 (15%) homens.
Gestão e Administração: 71.492 formados, sendo 40.395 mulheres e 31.097 homens.
Direito: 44.268 graduados, sendo 22.332 homens e 21.936 mulheres.
Promoção, prevenção, terapia e reabilitação: 31.066 graduados, sendo 17.610 mulheres e 13.455 homens.
Contabilidade e tributação: 27.595 graduados, sendo 16.042 mulheres e 11.552 homens.
Medicina por sexo, cor ou raça
Entre os 10.606 graduados em Medicina no Pará, em 2022, 5.329 são homens (50,3%) e 5.277 mulheres (49,7%). Destes:
Brancos: 5.107 pessoas (48%)
Pardos: 4.864 pessoas (46%)
Pretos: 489 pessoas (4,6%)
Amarelos: 134 pessoas (1,3%)
Indígenas: 13 pessoas (0,1%)
Frequência Escolar por Faixa Etária
Em 2022, a taxa de frequência escolar bruta no Pará foi de 30,76%, sendo 30,59% para homens e 30,92% para mulheres. Já a série histórica por faixa etária nos últimos censos foram:
0 a 3 anos: 17,1% (2022); 13,7% (2010) e 6,9% (2000)
4 a 5 anos: 80,2% (2022); 72,4% (2010) e 48,5% (2000)
6 a 14 anos: 97,5% (2022); 94,5% (2010) e 88,2% (2000)
15 a 17 anos: 83,7%, (2022); 81,5% (2010) e 73,2% (2000)
18 a 24 anos: 29,4%, (2022); 32,3% (2010) e 32,4% (2000)
Baixa frequência escolar
Nenhum município do Pará alcançou ao menos 50% de taxa de frequência na faixa de 0 a 3 anos.
Somente Magalhães Barata e Peixe-Boi apresentaram taxa de frequência escolar bruta de 100% na faixa etária de 4 a 5 anos. Apenas Bagre (44,87%) não atingiu 50%. A segunda menor taxa nessa faixa etária ficou com Afuá (50,10%), seguido de Breves (55,91%).
Somente Primavera, Peixe-Boi e Curionópolis apresentaram taxa de frequência escolar bruta de 100% na faixa etária de 6 a 14 anos. As menores taxas ficaram com Bagre (89,75%), Portel (89,25%) e Afuá (85,74%).
“Com relação à frequência escolar, os dados de 2022 mostram que apenas 17% das crianças de zero a três anos no Pará frequentavam a escola. A meta ideal estabelecida seria de no mínimo 50% das crianças na creche. Isso revela que o estado está distante do ideal. Já nas crianças de 04 a 05 anos, houve aumento de 80% na frequência escolar, assim como em outras faixas etárias. Também há diminuição nos indicadores de pessoas sem instrução que vem reduzindo, atualmente está em 42%, a meta é que fique igual a zero”, detalhou.