Dia Nacional do Livro Didático: ferramenta potencializa a educação de estudantes no Pará
Em 2023, os estudantes da rede estadual passaram a contar com materiais próprios desenvolvidos pela Seduc
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O Dia Nacional do Livro Didático, comemorado nesta quinta-feira (27), destaca o poder transformador dessa ferramenta essencial, que potencializa o processo de ensino-aprendizagem e é fundamental para o desenvolvimento de milhares de estudantes. Na Escola Estadual Professor Jorge Lopes Raposo, em Icoaraci, na Grande Belém, alunos e professores destacam a importância do material, inclusive devido à adaptação de alguns deles à realidade amazônica e com temas regionais. E é no dia a dia que todo esse processo educacional é visto na prática.
O estudante Gustavo Torres Azevedo, 17, do 3º ano do ensino médio, conta que as coleções didáticas disponibilizadas nas escolas são indispensáveis para o desenvolvimento do conhecimento e para potencializar até mesmo o que já foi aprendido. E é por conta disso que ele se sente preparado para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “No ano passado, a gente teve a oportunidade de ter o livro do ‘Prepara’ [Pará], que foi bastante importante. Foi um reforço para a gente poder conseguir ver o que a gente perdeu de conteúdo integral [em sala de aula] durante a pandemia”, observa.
“Agora, eu me sinto bem preparado, porque nele [no material didático] eu consegui ver e me localizar quanto aos textos. Por exemplo, eu não sabia me localizar num texto, não sabia fazer interpretação de texto. E, hoje, eu consigo fazer. Então me sinto bem preparado para fazer o Enem. E eu me considero, sim, incluído [com a questão do material regionalizado]. E eu acredito que todos os alunos do Raposo também. Isso até nos beneficiou bastante”, diz o jovem, que é pré-vestibulando.
Material próprio
No Pará, após 34 anos, em 2023, a rede estadual de ensino voltou a contar com material didático próprio e regionalizado - nos 144 municípios paraenses. Além disso, os estudantes também contam com os livros do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), integrando o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Atualmente, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) distribui para toda rede esses materiais — que são alinhados às particularidades do ensino paraense e as necessidades do corpo docente.
Entre os exemplares disponibilizados estão: o “Prepara Pará”, com conteúdos de Português e Matemática; o “Alfabetiza Pará”, visando apoiar e inspirar práticas de ensino-aprendizagem no processo de alfabetização; “Educação Ambiental”, para fomentar o pensamento e a prática sustentável de forma contínua; e “Acelere o Saber”, com metodologia própria e é específico por área de conhecimento para a recomposição da aprendizagem e progressão nos estudos para outro ciclo ou nível de ensino da educação básica.
Projeto
Também na Escola Estadual Jorge Lopes Raposo, o projeto “Bora Ler” tem estimulado a leitura de clássicos da literatura entre os alunos do ensino médio - a partir das coletâneas recebidas. A iniciativa utiliza a metodologia “Tertúlias Dialógicas Literárias” para promover discussões sobre as obras. A professora responsável pela ação, Elionete Lisboa, explica que o objetivo é ampliar a compreensão dos estudantes sobre os textos e conectar a literatura a outras áreas do conhecimento. A prática começou a ganhar o apoio de professores de outras disciplinas, como Filosofia, Sociologia e Matemática.
Durante os encontros, os alunos do ensino médio analisam trechos do livro e compartilham suas percepções, relacionando a narrativa com filosofia, história e até mesmo com suas próprias experiências. “No ano passado, iniciamos o projeto com a leitura de Revolução dos Bichos, de George Orwell. Ele recebe o livro e tem um período de 15 dias para fazer a leitura. Depois, participa do debate, onde comenta as partes mais interessantes e esclarece dúvidas. Aqui na escola, cada professor seleciona um dia de sua aula e cede o aluno para a sala de leitura”, explica a professora”, conta a professor de Língua Portuguesa.
Além de “Revolução dos Bichos”, os estudantes também tiveram contato com grandes obras da literatura brasileira, como “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, e “Memórias Póstumas”, de Brás Cubas, de Machado de Assis. Para Elionete, o projeto tem ajudado a fortalecer a interdisciplinaridade e a estimular a leitura crítica entre os jovens. “Eles conseguiram ler mais. Até os clássicos. Isso porque, na verdade, é um desafio, um aluno, hoje, sair do celular e ler um livro”, observa a professora.
Já Alfonsina de Jesus, diretora da unidade escolar, destaca: "Consideramos a importância do aluno ter acesso direto a esse material impresso. Claro, que podemos, sim, estar dialogando com as novas tecnologias, mas o livro didático ainda exerce uma preponderância no ensino público. É um incremento da educação pública no Pará, uma vez que os alunos estão tendo acesso a um material muito particular na temática da região e no preparo desse aluno para os desafios da vida", reforça.
Fonte de conhecimento
Ministrando a disciplina de Biologia há cerca de 37 anos, o professor Angelo Moreira, atualmente, leciona o componente curricular de “Educação Ambiental” nas escolas da rede estadual. Para ele, o livro didático, mais do que uma fonte de conhecimento, é importante para fixar o aprendizado dos estudantes. E, segundo ele, também é essencial para a prática pedagógica dos docentes. “O livro didático é fundamental para a formação do aluno e para uma análise curricular que ele terá. O livro didático é o aluno levando o ‘professor para casa’, acompanhando aquele trabalho que foi feito em sala”, afirma Moreira.
Angelo também lembra que, além do livro, usa outra didática para fixar os conteúdos aos alunos: a paródia — com letras adaptadas aos temas vistos em sala de aula. “O livro regionalizado dá oportunidade aos professores para sua didática. Eu, particularmente, crio paródias nas minhas aulas. E a gente tem livros na Seduc. E temos essa busca incansável pela prática do bem-estar, principalmente pela educação ambiental. A gente busca esse resultado com os alunos nas práticas. Hoje, temos o Google, mas pegar no livro ajuda; o buscar e riscar o livro ajuda muito na pesquisa do aluno”, completa o professor.
“Em sala de aula, o aluno copia e anota algo. Mas tudo mais que ele [estudante] queira ter de mais informações, ele vai encontrar no livro didático. Esse material traz exercícios, traz imagens, traz a localidade e leva o aluno para o acervo dele. E, quando se fala, inclusive, em educação ambiental, toda a conservação, toda a prática do aluno com a família dele, a redondeza da escola, na própria escola”, reforça o docente ao falar da importância dos exemplares no dia a dia escolar.
Protagonismo
Além dos materiais produzidos pela Seduc, os estudantes da rede estadual contam também com os livros do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), integrando o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Em 2023, foram distribuídos 7.850.608 exemplares. Os livros do PNLD são adquiridos pelo FNDE de acordo com o Censo escolar. Ainda segundo a secretaria, “todas as coleções didáticas encorajam o protagonismo dos estudantes com linguagem simples, conteúdo regionalizado e atividades voltadas para as situações cotidianas dos estudantes”.
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