Cerca de 94% das mulheres baixa renda do Brasil não sabem o que é pobreza menstrual
A escassez de produtos básicos de higiene menstrual impacta diretamente na saúde, autoestima e no desempenho escolar de meninas e mulheres de todo o Brasil
A falta de acesso a produtos básicos de higiene menstrual é a realidade de uma grande parcela de meninas e mulheres paraenses que vivem em situação de extrema pobreza. A escassez desses produtos é chamada de pobreza menstrual, fator que impacta diretamente na saúde, na autoestima e no desempenho escolar dessas pessoas. Cerca de 94% das mulheres de baixa renda do Brasil não sabem o que é pobreza menstrual. Destas, mais da metade passam pelo problema. É o que mostra uma pesquisa recente da Johnson & Johnson Consumer Health em parceria com os Institutos Kyra e Mosaiclab.
Com esta vulnerabilidade ao acesso dos itens de higiene adequados, essas mulheres acabam utilizando materiais pouco higiênicos para o período menstrual, como por exemplo: panos, roupas velhas, miolo de pão, jornal, entre outros. A utilização desses materiais pode resultar em problemas sérios de saúde que variam desde alergia e candidíase até a síndrome do choque tóxico.
Com o intuito de atuar no combate a pobreza menstrual em Belém, servidoras da Secretaria Municipal de Finanças (Sefin) em parceria com a Coordenadoria da Mulher de Belém (Combel) lançaram a campanha "Por elas - Servidoras Fazendárias no combate à pobreza menstrual", que visa arrecadar absorventes higiênicos que serão distribuídos a meninas e mulheres que vivem em situação de vulnerabilidade social.
“Essa iniciativa surgiu quando identificamos que algumas mulheres e meninas deixam de ir à escola ou até de sair de casa, por exemplo, porque não têm absorventes à disposição quando estão menstruadas. Então, pensamos de que forma poderíamos contribuir para mudar esta realidade. O nosso objetivo é arrecadar os absorventes higiênicos e, assim, ajudar a combater a pobreza menstrual em Belém. Essa também é uma forma da Secretaria de Finanças se aproximar da população, mostrando o nosso comprometimento com ela, que vai além do serviço que prestamos”, destacou a secretária de Finanças de Belém, Káritas Rodrigues.
Inicialmente, a campanha beneficiará cerca de 150 mulheres que moram na comunidade Peniel, no bairro do Tapanã. Os itens serão doados pelas próprias servidoras e servidores da Sefin, mas qualquer pessoa que tenha interesse em contribuir para esta causa pode fazer sua doação.
“Esperamos que com essa campanha possamos inspirar outras instituições a também pensarem sobre este tema e ver de que forma podem contribuir para essa luta contra a pobreza menstrual. Quanto à Sefin, temos a intenção de promover outras campanhas nos próximos meses e para atender outros grupos da sociedade que também precisam de atenção”, conclui a secretária.
Os absorventes higiênicos serão arrecadados durante todo o mês de outubro na sede administrativa da Secretaria de Finanças, localizada na travessa 14 de Abril, e na Central Fiscal de Atendimento ao Contribuinte, que fica na Praça das Mercês.
(Bruna Ribeiro e Karoline Caldeira, estagiárias, sob supervisão de Jorge Ferreira, coordenador do núcleo de Atualidades)