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O segredo sombrio da Singapura ultramoderna: a mutilação genital feminina

Prática geralmente inclui o corte do clitóris e do prepúcio do clitóris

Agência France Presse

 

Saza Faradilla tinha 22 anos quando soube que teve sua genitália mutilada enquanto bebê, parte de uma tradição persistente entre a minoria muçulmana de Singapura. 

A cidade-Estado se distingue por ser moderna e cosmopolita, mas os valores sociais são conservadores e a mutilação genital feminina, proibida em grande parte do mundo, é permitida. 

Acredita-se que a prática seja generalizada entre a minoria muçulmana.

"Me disseram que me cortaram porque não queriam que eu fosse uma adúltera, porque é algo limpo e porque faz parte da religião", disse Saza. 

Conhecida em Singapura pelo termo "sunat perempuan" na língua malaia, a prática geralmente inclui o corte do clitóris e do prepúcio do clitóris. 

Ativistas locais a condenam como violação e fazem campanha para erradicá-la.

Saza e um grupo de mulheres, em sua maioria muçulmanas, usam o Instagram e panfletos para desmascarar mitos e apoiar aquelas que foram submetidas à prática.

Tema tabu

A relutância da comunidade malaia em discutir questões como a sexualidade feminina torna mais difícil abordar o assunto. 

O verdadeiro alcance global da mutilação genital feminina não é claro, embora a ONU estime que pelo menos 200 milhões de meninas e mulheres vivas foram submetidas ao procedimento em 31 países na África, Oriente Médio e Ásia. 

Alguns muçulmanos acreditam que é importante para a saúde e o desenvolvimento moral das meninas ou a aceitam como parte de uma tradição. 

No entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a prática não traz benefícios à saúde, é arriscada e envolve uma violação dos direitos das meninas, além de ser "uma forma extrema de discriminação de gênero". 

Não há dados oficiais sobre a a prática em Singapura, mas 75% das mulheres muçulmanas consultadas pelo grupo de Saza foram submetidas à mutilação genital.

O Conselho Religioso Islâmico de Singapura, que dá orientação religiosa aos muçulmanos na cidade-Estado, se manifestou contra a prática. 

A organização "defende a posição de que qualquer procedimento que tenha sido provado clinicamente como causador de danos, incluindo a mutilação genital feminina ... deve ser evitado", disse um porta-voz à AFP. 

Mas há poucos sinais de um abandono significativo da prática em Singapura e não há proibição oficial. 

Os ativistas não buscam a proibição por medo de que a prática continue clandestinamente, mas querem que as autoridades de saúde digam publicamente que não é necessária e que o Conselho Islâmico não vê isso como uma obrigação religiosa. 

Zubee Ali, membro do grupo de Saza, foi submetida ao procedimento quando criança e se recusou a fazê-lo com suas duas filhas, apesar da pressão social. 

"Nunca vou saber o que é ser inteira ou pura. Foi tirado de mim", disse Zubee.

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