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Eleitores descontentes com medidas de Trump protestam em eventos do partido Republicano

Manifestações acaloradas e até confrontos levaram à suspensão de reuniões públicas presenciais programadas pelos republicanos

Gustavo Freitas / Especial para O Liberal

Na política norte-americana, há uma prática comum entre os partidos Democrata e Republicano de realizar assembleias públicas onde os eleitores se reúnem com o congressista eleito para ouvir o que está sendo feito em Washington e relatar as dores de quem vive no distrito. Nas últimas semanas, as reuniões se tornaram um problema para os republicanos, que veem um descontentamento crescente com as políticas anunciadas pelo governo Trump desde que assumiu a Casa Branca.

O Comitê Nacional Republicano do Congresso (NRCC) instruiu os republicanos da Câmara a suspenderem as reuniões públicas presenciais devido a relatos de discussões acaloradas e confrontos nos eventos. Esses protestos estão centrados em decisões políticas controversas, especialmente nos cortes do governo federal liderados pelo bilionário Elon Musk, que está à frente do chamado Departamento de Eficiência Governamental (DOGE, em inglês).

"Se o seu representante republicano não se encontrar com você porque sua agenda é tão impopular, talvez um democrata o faça. Eu mesmo posso ir. Se o seu congressista se recusar a se reunir, irei organizar um evento no distrito dele para ajudar os democratas locais a derrotá-lo.", disse Tim Walz, ex-companheiro de chapa de Kamala Harris, em sua conta no X.

Para fugir da narrativa republicana sobre “protestos pagos”, organizações democratas estão em contato com partidos estaduais e grupos locais para monitorar os eventos públicos republicanos. Em vez de protestos, eles incentivam a participação de eleitores locais insatisfeitos para expressar suas preocupações.

O congressista democrata Suhas Subramanyam, representante do 10° distrito da Virgínia, realizou evento em uma área dominada por republicanos e comentou em sua conta no X: "Realizamos uma assembleia pública ontem à noite em um condado onde os republicanos tiveram uma grande vitória. O local estava lotado, com pessoas até em pé.

As pessoas estavam frustradas, irritadas e até assustadas. Veteranos. Funcionários federais. Pais. Idosos. Precisamos ser ousados e não ter medo, especialmente quando as políticas prejudicam nossa economia e ameaçam a saúde e a segurança de todos os americanos. Continuem se manifestando."

Esta não é a primeira vez sob Trump que os republicanos se veem ameaçados com protestos em assembleias populares. No seu primeiro mandato, a Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos, aprovou a American Health Care Act (AHCA), uma legislação que enfraquecia proteções para pessoas com condições preexistentes e reduzia o financiamento do Medicaid, o que poderia deixar milhões de americanos sem seguro de saúde. Eleitores, especialmente aqueles que dependiam da ACA para cobertura de saúde, organizaram protestos em eventos de parlamentares republicanos.

Os protestos foram essenciais para barrar a legislação no senado e ajudaram a mobilizar a base democrata, contribuindo para a "onda azul" nas eleições de meio de mandato de 2018. Os democratas recuperaram a maioria na Câmara dos Representantes, ganhando 41 cadeiras, em grande parte devido à insatisfação com as políticas de Trump e dos republicanos.


 

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