Exclusivo: Xuxa fala do lançamento de projeto para crianças e relação com Angélica
A Rainha dos Baixinhos retorna com trabalho voltado para o público infantil e comemora idade nova com novidades

Xuxa resolveu comemorar seus 62 anos da maneira que mais gosta: valorizando seu título de Rainha dos Baixinhos. A artista lançou no dia do seu aniversário, 27 de março, a 14ª edição do "Xuxa Só Para Baixinhos". O material educativo, que está disponível no YouTube e nas plataformas digitais, valoriza as cores.
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O XSPB 14 chega após uma longa pausa, com a última edição lançada em 2016. Para celebrar esse momento, Xuxa traz uma parceria inédita com Angélica, que animou o público quando foi anunciada. Além disso, o projeto conta com composições de Junno Andrade, seu ‘namorido’.
Em entrevista exclusiva ao Grupo Liberal, Xuxa contou suas novidades profissionais e sobre o XSPB para ela. Confira:
P: Xuxa, o público que te acompanha há muito tempo ama a sua parceria com a Angélica, e mais uma vem por aí. Como tem sido essa caminhada e projeto ao lado dela?
X: Esse projeto vem para falar das cores, inclusive porque, quando você está ao lado de um amigo, tudo fica mais colorido. Por isso, não imaginei outra pessoa para cantar comigo. Quando estou com a Angélica, nós viramos um pouco crianças, ficamos rindo à toa, brincando e nos divertindo. Eu queria reforçar que isso acontece porque as pessoas esquecem que, ao lado de um amigo, você consegue ver beleza até mesmo em um lugar que, aos olhos de todos, pode não parecer tão belo. O fato de ela, assim como eu, ter começado a trabalhar com crianças na televisão é muito importante, porque estamos entregando esse presente, como você disse, para as pessoas que cresceram com a gente, que hoje, de repente, são até avós, têm seus baixinhos e vão ficar muito felizes.
Nunca cantei com a Angélica, apesar de a conhecer há tanto tempo. Nunca cantamos juntas, mas vendemos muitos discos e CDs por aí. Agora, essa parceria foi um grande acerto. Além disso, eu nunca tinha me visto em inteligência artificial, e acredito que nem ela. Então, pela primeira vez, viramos desenhos animados e cantamos juntas.
P: Esse projeto está na edição 14 e é feito para uma nova geração. Como é o desafio de produzir algo educativo nesse momento em que a arte, especialmente a música, vive tantos conflitos, quando falamos de projetos mais elaborados?
X: Acho que, assim como a música, o mundo está em conflito. Então, fazer algo para crianças, onde eu preciso falar que a esperança e a beleza existem, que o lado lúdico e fantasioso está aí, e que você não pode deixar de sonhar, é algo bem complicado. Mas a música, assim como a cultura em geral, está passando por momentos de grandes desafios, está por um fio. Às vezes, a gente pensa: "Nossa, isso está fazendo sucesso? Como pode estar fazendo sucesso uma coisa tão estranha?". Mas é o que o mundo tem a oferecer. Às vezes, a cabeça das pessoas que estão vivendo conflitos quer ouvir coisas que não são o que a gente realmente acha que deveriam virar sucesso, mas temos que respeitar. Eu, como consumidora de música, que cresci ouvindo meu pai e um radinho tocando, sei o quanto é importante a música na vida da gente.
Por mais que o mundo esteja em conflito, a música faz com que a pessoa respire diferente, quase como um remédio para a gente. E não é diferente para uma criança, que vê o mundo com outros olhos.
P: Você é uma pessoa que comunica para várias idades, mas nunca esquece os baixinhos, sempre produz coisas para as crianças. Esse é um dos seus prazeres profissionais?
X: Quando comecei a fazer coisas para outras idades, foi porque as crianças começaram a crescer, mas eu nunca quis deixar de falar para as crianças, em nenhum momento da minha vida. Comecei com o Clube da Criança, fui para o Xou da Xuxa e fiz o Planeta Xuxa porque as crianças cresceram um pouco mais, mas nunca deixei de trabalhar para elas. Assim como no Xuxa Park, Mundo da Imaginação e XSPB. Essa é a minha grande vontade: trabalhar para esse público.
P: O repertório desse projeto é bastante didático e educativo. Como foi a escolha dessas canções? E o que foi mais importante para as escolhas das músicas?
X: O que acho incrível neste XSPB 14 é que o tema é cores, e eu consigo imaginar que, se eu resolvesse cantar em japonês, poderia cantar essas músicas nessa língua, porque tenho certeza de que as crianças japonesas iriam curtir. É fácil entrar no mundo das cores, porque ele é apresentado pelos pais, por um responsável ou até mesmo pelos professores, para estimular a criança a aprender, crescer e conviver com o que existe na natureza e no dia a dia. Não importa o idioma que você fale, não importa onde você esteja; é sempre muito atual e necessário para o desenvolvimento das crianças. Acho que voltar com esse tema foi uma grande sorte, apesar de ele já ter sido presente no XSTB 13. Quando escolhi o penúltimo, já sabia que seria de A a Z e o 14 sobre cores. Mas veio no momento certo, que é agora, quando estou voltando para a Sony e a Som Livre, e também no momento em que as mídias sociais e a inteligência artificial fazem parte do nosso dia a dia. Usar esse recurso para falar de cores é muito bacana e forte. Acho que, se eu tivesse feito isso lá atrás, teria faltado algo, então está no momento certo.
As músicas já haviam sido escolhidas, pelo menos cinco ou seis delas, há cerca de oito ou nove anos. Durante o desenvolvimento, já falávamos sobre o que íamos abordar. Como tenho o Ju (Junno Andrade), que é responsável junto com outros três compositores pelas músicas, foi muito mais gostoso e fácil falar com ele, já que convivemos juntos o tempo todo. Ele topava, juntava com a galera dele e criava. Foi um processo muito bacana, porque segui de acordo com os meus pedidos. Foi tudo feito em cima da minha vontade e do que eu gostaria de passar para as crianças.
P: Mesmo sendo um projeto para baixinhos, as músicas sempre viralizam. Como você vê esse seu poder de agradar todas as idades?
X: Olha, se viralizam ou não, isso já é outro assunto. Mas o mais importante é saber que tento dar o meu melhor para eles. Por exemplo, a música "Soco Soco Bate Bate" viralizou na Itália e é cantada por pais, mães e pessoas de todas as idades. Isso me fez pensar que estou realmente no caminho certo. Não importa o tempo, a idade, a língua ou o que eu esteja fazendo. Se eu dou o meu melhor, recebo o meu melhor, onde quer que eu esteja. E espero que, com esse projeto das cores, não seja diferente!
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