Há exatos 12 anos, em 17 de outubro de 2006, o Paysandu perdia um grande símbolo. A torcedora Géssica Veiga, que virou a mascote da equipe na Copa dos Campeões 2002, perdeu a batalha contra o câncer e faleceu no hospital Ophir Loyola, em Belém, aos 15 anos. O ex-jogador e ídolo do clube bicolor Vandick Lima, que adotou Géssica como seu "talismã", publicou hoje (17) uma homenagem em uma rede social para a inesquecível fã.
"12 anos sem você. 12 anos sem seu sorriso e sua alegria contagiantes. 12 anos de saudades. Desde aquele 17 de outubro de 2006 que existe dentro de mim um vazio enorme por não ter mais você aqui entre nós. A única coisa que me conforta é saber que você tá do lado de Deus e que virou um anjo, pois aqui você foi exemplo para todos nós. Te amo Géssica, pra sempre! ", disse o ex-jogador em seu perfil no Facebook.
O início
A história de Géssica e Vandick começou no início de 2002, quando o elenco do Paysandu fez uma visita à sede da Associação Voluntária de Apoio à Oncologia (Avao), localizada no bairro de São Brás, em Belém. "Ela era uma grande fã do Paysandu, e assim que nós chegamos lá ela veio correndo para me abraçar", relembra o ex-jogador, emocionado.
Desde então Vandick criou uma relação de companheirismo com a pequena Géssica, acompanhando todo o tratamento e prestando ajuda sempre que necessário. Durante a partida contra o Palmeiras, válida pela Copa dos Campeões, em 28 de julho de 2002, Vandick marcou o primeiro gol do Paysandu e correu para as câmeras de televisão, exibindo uma camisa branca com a mensagem "Força Géssica, Deus está contigo", gesto que se repetiu em partidas posteriores. A torcedora, que hoje teria 27 anos, também entrou de mãos dadas com o ex-jogador no primeiro jogo da final contra o Cruzeiro, no Mangueirão, e mais tarde entregou nas mãos de Vandick o troféu Rômulo Maiorana de Personalidade do Ano.
Uma grande amizade
O carinho e admiração se transformaram em uma grande história de amizade. Com o tempo, Géssica passou a ser considerada parte da família, marcando para sempre a vida do ídolo do Papão e sua maneira de enxergar o mundo. "Eu tenho quatro filhos, e considerava a Géssica como a minha quinta filha. Quando ela se foi, foi como se eu tivesse perdido uma filha. Ela foi muito especial na minha vida. A cada ano a saudade aumenta, o coração aperta. É um amor que não tem palavras", diz o ex-bicolor, sem conseguir conter as lágrimas.
Cerca de cinco anos após o diagnóstico, a guerreira Géssica, que se eternizou como um grande símbolo da torcida bicolor e exemplo de persistência e vontade de viver, nos deixou. A história de vida dela, porém, inspirou e continua a inspirar milhares de pessoas em todo o Pará e no Brasil, que naquele ano de 2002 tiveram a alegria de ver o Paysandu levantar a taça de Campeão dos Campeões, contando com a energia positiva e a sorte trazida pelo "amuleto bicolor".
Fé na luta
Às famílias que passam por situação parecida, Vandick pede que tenham força e continuem na luta, mantendo sempre a esperança e acreditando na vitória. "Eu sei que é muito difícil quando alguém da sua família é diagnosticado com câncer, é um baque muito grande. Mas não pode desistir, tem que ter fé em Deus e continuar lutando, tenho certeza que no caso da Géssica foi feito todo o possível para que ela se salvasse", finaliza.