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Gastos com medicamentos comprometem orçamento de famílias mais pobres

Compra de remédios genéricos é alternativa para economizar nos gastos com saúde

Fabrício Queiroz

Um estudo publicado pelo Banco Mundial mostra que os gastos com saúde consomem uma fatia de quase 10% do orçamento familiar. Contudo, a desigualdade de renda e as condições de acessos aos serviços e produtos de saúde podem elevar ainda mais esses custos, alcançando até 40% do total de recursos das famílias mais pobres. A pesquisa mostra ainda que uma parte significativa desses gastos é direcionada para a compra de medicamentos. Em média, 46% do gasto com saúde vai para a aquisição de remédios, no entanto essa parcela pode ser de até 84% para as famílias das classes mais baixas.

O Banco Mundial alerta que essa inequidade é um motor para o aumento da pobreza, visto que o impacto é desproporcional entre as diferentes faixas de renda. “O estudo aposta que as famílias de renda mais elevadas gastam mais com plano de saúde, enquanto que as famílias de baixa renda gastam mais com mais com remédios”, comenta Nélio Bordalo Filho, economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia dos Estados do Pará e Amapá (Corecon PA-AP).

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“Eu sinto muitas dores nos meus joelhos por causa de um problema de osteoporose, então eu gasto sempre. Esse remédio eu venho encontrar aqui mais em conta. Eu fui em uma farmácia, mas não tinha e lá estava R$ 68. Aqui eu consegui comprar por R$ 55, o que já faz muita diferença. Todos os meses eu compro. Já tenho sempre que reservar aquele dinheiro para o remédio”, conta Madalena, que chega a gastar até R$ 300 por mês com os produtos.

“Eu faço a pesquisa e percebo que vai variando conforme a farmácia. Eu acabo gastando mais com a minha medicação do que com luz, por exemplo, mas em primeiro lugar vem sempre a minha saúde”, afirma a dona de casa.

No estabelecimento visitado por ela, um dos farmacêuticos é Fabrício Santos, que frisa que a movimentação de clientes é sempre intensa, sobretudo porque a população está mais consciente de que é possível manter os cuidados com a saúde sem abrir mão da economia.

“O medicamento genérico é uma forma de garantir que as pessoas tenham maior acesso ao medicamento devido ao preço dele. Há alguns medicamentos que são mais caros e o genérico veio para que se possa ter um acesso com uma economia maior. É um remédio que tem a mesma eficácia que o medicamento de referência e ajuda as pessoas, principalmente as que tem menos condições”, destaca o farmacêutico.

Além disso, Nélio Bordalo orienta que é possível controlar melhor os gastos com saúde adotando outras estratégias, como a troca de plano de saúde. Avalie a possibilidade de migrar para planos de saúde com mensalidades mais baratas e que caibam no orçamento da família, mas leve em consideração também se não haverá perdas na qualidade do atendimento ou menor cobertura para doenças mais complexas”, recomenda o economista, que indica a utilização de programas de descontos oferecidos por farmácias e laboratórios, assim como os serviços oferecidos por clinicas populares que ofertam consultas e exames.

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