Desabamento: caso no 'Cristo Rei' traz impactos negativos para a comercialização de imóveis
O primeiro impacto é negativo com relação a qualquer tipo de negociação de venda ou aluguel dos imóveis do edifício
O desabamento das sacadas do edifício "Cristo Rei", localizado na rua dos Mundurucus, bairro da Cremação, no último sábado (13), traz alguns impactos e, entre eles, a pressão negativa de especulação imobiliária. A reportagem conversou com o corretor de imóveis Edmilson Moraes, que explicou um pouco sobre os primeiros impactos mais comuns diante desse tipo de acontecimento.
De acordo com a experiência do corretor no mercado imobiliário, o primeiro impacto é negativo com relação a qualquer tipo de negociação de venda ou aluguel dos imóveis do edifício. Mas, Edmilson explica que os prejuízos acabam respingando em imóveis situados na área do Cristo Rei com as mesmas características.
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"Geralmente quando ocorre esse tipo de acontecimento as pessoas ficam mais receosas e exigentes. Hoje em dia, o cliente já é muito mais exigente, mas diante de um acontecimento como esse a exigência acaba aumentando. As pessoas procuram saber mais sobre a construtora, sobre a história dos prédios e entre outras curiosidades que são colocadas como forma de precaução", destaca Edmilson.
É muito comum que o comportamento do consumidor fique mais atento diante desse acontecimento. "As pessoas que estão negociando, nesse momento, imóveis mais antigos, imóveis construídos pela mesma construtora do Cristo Rei ou até mesmo imóveis naquele perímetro, é comum que elas acabem dando um recuou nas negociações", pontua o corretor.
Mas ele acrescenta que esse comportamento começa a mudar após o laudo da perícia ser divulgado. "Nesse primeiro momento as pessoas não sabem o que de fato ocorreu, muitas especulações são divulgadas. Somente após o laudo é possível saber a real causa do desabamento e as coisas começam a normalizar", tranquiliza Edmilson.
Perfil do edifício
Com relação a algumas curiosidades sobre os apartamentos do Cristo Rei, Edmilson explica que são apartamentos nos moldes antigos com média de quatro apartamentos por andar, entre apartamentos de três a quatro quartos. Os apartamentos têm aproximadamente 400 m² já contando com a vaga de garagem.
Maria Augusta é moradora do Cristo Rei, já mora há 36 anos anos e diz que é uma das mais antigas. “Hoje a configuração já mudou muito. Muitos dos moradores antigos já saíram, pois os filhos vão casando e o apartamento vai ficando muito grande”, diz.
O corretor diz que a média do valor do condomínio é alto, o que prejudica no valor de venda e aluguel dos apartamentos. "O condomínio tem um valor alto e o prédio não tem área de lazer com piscina e outras dependências . Isso é prejudicial para a venda” detalha.
Durante busca em aplicativos espacializados em compra e aluguel de imóveis, foi possível verificar que o valor do condomínio ultrapassa R$ 1.000,00 e o valor dos imóveis varia de 850 mil a 1,2 milhão
Outra observação feita pelo corretor de imóveis é que devem ter poucos apartamentos para alugar no edifício, pois geralmente os moradores são antigos ou são moradores que gostam desse tipo de apartamento mais espaçoso e preferem fazer a compra do imóvel.