Cotação do dólar hoje: veja em qual valor o dólar fechou nesta quinta-feira (27/02)
Dólar sobe alinhado ao exterior com tarifas de Trump no radar
O dólar apresentou alta moderada em relação ao real na sessão desta quinta-feira, 27, acompanhando a onda de valorização da moeda americana no exterior, deflagrada por novas promessas de imposição de tarifas de importação pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Números do mercado de trabalho revelados pela Pnad Contínua, pela manhã, e o resultado do Governo Central em janeiro, que saiu à tarde, não destoaram muito das expectativas e tiveram menor influência na dinâmica dos negócios hoje.
"Ontem, o real se descolou dos pares e se depreciou bem com os boatos da reforma ministerial. Mas hoje o movimento é global, com as falas de Trump sobre tarifas", afirma o economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima, que considera improvável a saída de Fernando Haddad do ministério da Fazenda. "Foi um rumor que ganhou tração ontem e fez o mercado reagir. Mas não vejo isso acontecer. A não ser que o governo deseje fazer uma guinada muito forte para o populismo."
Com máxima a R$ 5,8370 pela manhã, o dólar fechou o dia em alta de 0,43%, cotado a R$ 5,8287, no maior valor de fechamento desde 31 de janeiro (R$ 5,8366). Foi o segundo pregão consecutivo de avanço da moeda americana, que já acumula valorização de 1,71% em relação ao real na semana, o que reduz as perdas da divisa em fevereiro a 0,14%. No ano, o dólar apresenta queda de 5,69%.
No exterior, o índice DXY - que mede o comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes - subiu mais de 0,70% e voltou a superar a linha dos 107,000 pontos, com máxima aos 107,279 pontos, com ganhos de mais de 0,80% em relação ao euro.
Trump confirmou hoje que as tarifas sobre México e Canadá, que haviam sido suspensas por 30 dias, vão entrar em vigor em 4 de março. Já as tarifas recíprocas passaram a valer a partir de 2 de abril, incluindo a União Europeia. Ele também anunciou aplicação de tarifa adicional de 10% sobre produtos importados da China, em represália a supostas falta de proposta do país asiático para conter a oferta de fentanil.
Dados da economia dos EUA divulgados pela manhã não surpreenderam. A segunda leitura do PIB americano e o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) no quarto trimestre vieram em linha com as expectativas. Investidores aguardam amanhã a divulgação do PCE de janeiro para calibrar as apostas sobre eventual retomada do processo de corte de juros pelo Federal Reserve ainda neste ano.
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Lima, da Western Asset, observa que a política tarifária do governo Trump cria um clima grande de incertezas sobre a economia americana e global, o que aumenta os prêmios de risco e tende a fortalecer o dólar em relação às demais moedas. Ao quadro externo mais desafiador soma-se a falta de clareza sobre a disposição do governo em permitir uma desaceleração da economia que possa contribuir para o arrefecimento das pressões inflacionárias.
"Vejo o fortalecimento do dólar nas últimas semanas menos ligado a fatores domésticos, mas o fato é que piorou um pouco a percepção da condução do fiscal e do parafiscal com esses movimentos mais recentes do governo", afirma Lima, citando a liberação de R$ 12 bilhões de recursos retidos de quem optou pelo saque-aniversário do FGTS.