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Roda Cancioneira chega a 8ª edição como espaço da canção autoral em Belém

O projeto é realizado sempre no Núcleo de Conexões Na Figueredo (Gentil Bittencourt, 449)

Abílio Dantas

Está de volta nesta quarta-feira, 12, o projeto Roda Cancioneira, em sua oitava edição, a primeira de 2025. A Roda Cancioneira é um espaço permanente de trocas e mostra da produção de compositoras e compositores paraenses. Os encontros acontecem uma vez por mês no Núcleo de Conexões Na Figueredo (avenida Gentil Bittencourt, 449), sempre com entrada franca, a partir das 20h. O músico, compositor e poeta Renato Torres, idealizador da Roda, afirma que a inspiração para a ideia surgiu de iniciativas que ocorrem em outras capitais brasileiras.

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"Como sou essencialmente um compositor e um poeta desde a adolescência, a Roda é como uma espécie de oásis, uma Shangri-lá onde posso encontrar meus pares, um lugar de vibração e emoção únicas para quem, como eu, ama profundamente este ofício de compor canções. Começou como uma ideia simples de que houvesse em Belém esse espaço que já vi acontecendo em outras cidades brasileiras, um lugar onde as pessoas vão para ouvir e tocar música autoral”, explica o artista.

Desde o início do projeto, Renato destaca que muitos momentos especiais foram vivenciados pelos presentes, tanto pelos compositores quanto por quem foi conhecer as canções. “São tantos os aprendizados, mas posso destacar que é extremamente saudável a construção coletiva de um espaço de partilha, e sair um pouco da neurose a qual o mercado da música nos condiciona, que é exatamente o contrário: a disputa de espaço. Pessoalmente, é um alívio para mim estar com compositoras e compositores tão talentosos, numa audição mútua, e me emocionar com suas canções”, diz o compositor.

Outro aspecto que Renato ressalta é o encontro do público com autores de canções conhecidas por muitas pessoas, mas que a maioria não sabe quem fez. “Foi o caso do dia em que recebemos Nivaldo Fiuza, que compôs com Firmo Cardoso o grande sucesso da banda Sayonara, "Quem não te quer sou eu". O público veio abaixo, cantando junto... mas ninguém sabia quem era Nivaldo Fiuza. Firmo Cardoso, aliás, que compôs com Dino Souza um dos hinos do cancioneiro paraense, ‘Ao Por do Sol’, será em breve convidado para estar com a gente na Roda”, adianta.

Na 8ª edição foram convidados tanto compositores mais experientes quanto de novas gerações: Cabinho Lacerda, Dany Teixeira (da banda Casa de Folha), Ester Sá, Márcio Macedo, Priscila Cobra (do grupo Cobra Venenosa), e Pedrinho Callado. “São artistas diversos que trarão texturas sem dúvida muito particulares de seus processos criativos com a canção e com o canto, e que vão emocionar a plateia”, afirma Renato Torres.

"Eu continuo acreditando que, como sempre aconteceu ao longo da História, a verdadeira música nasce no meio das pessoas, nas praças, nos bares, nas esquinas, nos quintais das casas, nos encontros autônomos e na emoção verdadeira que nasce desses encontros humanos, e que os compositores e poetas que merecem esse nome seguem criando belezas indizíveis, independentemente de estar ou não ganhando dinheiro com isso, se toca no rádio ou se vira ‘trend’ de rede social. A Roda Cancioneira foi feita para essas pessoas, e para as pessoas que se interessam por essa dinâmica social e popular da arte musical”, conclui Renato.

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