Festival de Ópera do Theatro da Paz começa em 26 de abril e celebra 'Cobra Norato', de Raul Bopp
Espetáculo aborda a Amazônia, a partir de poema modernista e poderá ser conferido pelo público em quatro datas: 26, 27, 29 e 30
Para confirmar de vez que Belém, o Pará a e Amazônia como um todo vivem um momento simbólico de sua história, o XXIV Festival de Ópera do Theatro da Paz, lançado pelo Governo do Estado nesta sexta-feira (4), vai apresentar ao público em sua abertura no próximo dia 26 deste mês, em montagem inédita e em estreia mundial, a ópera "Cobra Norato - Terras do Sem Fim". O espetáculo é inspirado no poema homônimo do gaúcho Raul Bopp, de 1931, considerado uma obra-prima do modernismo brasileiro. Nessa obra, Bopp traduz suas impressões ao ter contato com a pujança e singularidade da região amazônica, que sediará na cidade de Belém, em novembro, e 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) e ainda tem o Theatro da Paz e o Teatro Amazonas com candidatura a patrimônio da Unesco.
Conferir essa descoberta da Amazônia por Raul Bopp, em um momento decisivo da cultura brasileira (o modernismo), funciona como um incentivo a se (re)descobrir a trajetória da ópera na região, o contribui com a formação de novas plateias para essse gênero que reúne diversas expressões artísticas pelo mundo, desde o começo do Século XVII.
"Cobra Norato - Terras do Sem Fim" poderá ser conferido nos dias 26, 27, 29 e 30 de abril, sempre as 20h. Na trama, um caboclo amazônida se embrenha nas matas, vencendo obstáculos, em meio a lendas e simbologias regionais, em busca de casar com a filha da Rainha Luzia.
O próprio Raul Bopp destaca como se sentiu ao ter contato com a realidade amazônica: "A estada de pouco mais de um ano na Amazônia deixou em mim assinaladas influências. Cenários imensos, que se estendiam com a presença do rio por toda parte, refletiam-se com estranha fascinação no espírito da gente. A floresta era uma esfinge indecifrada. Agitavam-se enigmas nas vozes anônimas do mato. Inconscientemente, fui sentindo uma nova maneira de apreciar as coisas".
O lançamento do festival reuniu no Theatro da Paz, na tarde desta sexta-feira (4), a secretária de Estado de Cultura, Ursula Vidal; o diretor do Theatro da Paz, Edyr Augusto; a diretora artística da ópera, Carla Camurati; o regente e diretor musical da montagem, Silvio Viegas; o maestro Miguel Campos Neto, regente da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz e diretor musical adjunto da montagem.
André Abujamra responde pela música original. A realização é da Gávea Filmes, com patrocínio da Vale, via Lei de Incentivo à Cultura. A realização é do Governo do Pará, por meio Secult, Theatro da Paz e Academia Paraense de Música.
"Viver isso"
A secretária Ursula Vidal contextualiza essa edição do evento. “O Festival de Ópera do Theatro da Paz se consolida com uma política pública do governo do Estado de formação de plateia, de valorização dos nossos profissionais ligados à cultura e à arte. O poema 'Cobra Norato', de Raul Bopp, reconhecido como um dos mais importantes do período modernista brasileiro, mostra o imaginário amazônico exatamente nesse ano de COP (conferência mundial sobre mudanças climáticas). Esse território tão rico e tão forte vai ecoar sua voz para o mundo, para cada vez mais públicos, mostrando a força e a energia criativa desse nosso território lindíssimo”, ressalta.
Silvio Viegas analisa a experiência de trabalhar com artistas paraenses, que compõem cerca de 80% do elenco, e a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (OSTP). “É uma estreia mundial, e a gente está em pleno processo de construção dessa ópera, cujos corpos artísticos são daqui, coro e orquestra, e estão nos ajudando a encontrar essa sonoridade amazônica que mistura, que faz esse bordado com o clássico. Está muito interessante. Soa lindamente porque há um empenho muito grande pela parte de todo mundo”, diz.
“A gente vem trabalhando nessa ópera, no processo de construção, desde 2020. Agora é um momento lindo, que a gente está vendo a ópera começar a acontecer no palco, com os cantores, os cenários, os figurinos, e estamos adorando finalmente viver isso”, afirma Carla Camurati.
Para o maestro Miguel Campos Neto, a preparação para essa ópera é diferenciada porque é inédita. O aprendizado parte do zero, sem referência de gravação de outras performances, o que acaba sendo uma estímulo ao trabalho. "Daqui a 100 anos, os livros de história vão dizer que a ópera 'Cobra Norato' foi estreada no Theatro da Paz, no Festival de Ópera de 2025”, destaca Campos Neto.
Na ópera
Esse envolvimento com o festival se dá, em particular, com o público em geral e com quem aprecia muito ópera, como a cantora lírica paraense Patrícia Oliveira, de 44 anos. "O Festival de Ópera fez parte do início da minha carreira. Em 2002, cantei na ópera 'Macbeth', cantei também 'Lá Boheme' em anos posteriores, e todos os anos participava dos concertos de música paraense e do concerto final que normalmente era em frente ao Theatro. Isso de 2002 até 2013", conta Patrícia.
"A ópera é uma arte completa e admirável, pois traduz em sua essência muitas linguagens artísticas, o teatro, a dança, a música, a literatura, as artes plásticas, fotografia, enfim, a pluralidade por meio das artes! Encantador ver uma estória transformada em fruição artística", pontua a cantora. Patrícia lembra que no auge do Ciclo da Borracha na Amazônia companhias de ópera se aprsentavam em Belém, no Theatro da Paz. "E todo esse legado influenciou nossa cultura popular local. O que não é o pássaro junino senão uma opereta popular", observa, acrescentando que muitos jovens conferem os espetáculos de ópera e outros ingressam no universo da música.
Serviço:
XXIV Festival de Ópera do Theatro da Paz
'Cobra Norato – Terras do Sem Fim'
Apresentação nos dias 26, 27, 29 e 30 de abril de 2025, às 20h.
Ingressos disponíveis a partir de sábado (5),
na bilheteria do Theatro da Paz e pelo
site www.ticketfacil.com.br,
além do aplicativo Ticket Fácil