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Re-Pa, riquíssima história de uma rivalidade

Carlos Ferreira

Uma pesquisa do jornalista Bernardo Pombo (GE), em 2016, consultando jornalistas esportivos de todo o país, posicionou o Re-Pa como 8° no ranking dos maiores clássicos regionais do futebol brasileiro. O Re-Pa só ficou abaixo de Grêmio x Internacional, Corinthians x Palmeiras, Flamengo x Vasco, Flamengo x Fluminense, Cruzeiro x Atlético, Corinthians x São Paulo e Bahia x Vitória.

Foram 300 opiniões de jornalistas esportivos: 11 de cada estado e três estrangeiros em atividade no Brasil. E o 8° lugar traduziu bem a grandiosidade do Re-Pa, que completou 110 anos de riquíssima história, com o título de clássico mais jogado do mundo: 775 jogos, 268 vitórias do Remo, 243 do Paysandu e 264 empates.

Bônus e ônus

A rivalidade é ótima porque sustenta o grande apelo popular de Leão e Papão, com estádios lotados, fortes patrocínios e sucesso na venda de produtos. Mas implica num passionalismo exacerbado que se reflete em condutas amadoras e mantém os clubes em defasagem de estrutura e mentalidade.

Bônus e ônus estão em todas as grandes rivalidades do futebol, mas no Re-Pa isso parece mais acentuado. Os gestores têm evoluído na mentalidade e nas atitudes, mas sem conseguir acompanhar as transformações. Ainda permitem que a rivalidade seja determinante em decisões que deveriam ser estratégicas, como também em grandes omissões. Gestão inteligente nesse ambiente é questão de sabedoria, de convicção e de coragem. É pra poucos! 

BAIXINHAS

* Com tanta paixão e rivalidade, Remo e Paysandu funcionam nos extremos de terra arrasada ou mundo das nuvens. É pressão desumana ou exagero de afagos. É inferno ou paraíso.

* Sobriedade acima de tudo. Hoje, contra o bom time do Ypiranga/RS, o Remo tem o desafio de ser sóbrio e ao mesmo tempo vibrante para absorver a energia da torcida e se impor em campo. É mais uma jornada tensa para os azulinos. 

* Edson Cariús, 19 jogos e um gol pelo Remo em 2021, tem 17 jogos e um gol pelo Ypiranga nesta temporada. Já Anderson Uchôa, que o Remo descartou erroneamente, é titular absoluto, iniciador de jogadas e líder do time gaúcho. 

* Mesmo sendo figura pálida no time do Remo, Ytalo é o principal artilheiro com 6 gols em 20 jogos. Os remistas seguem na esperança de que o atacante acorde e se torne digno do maior salário no Baenão. 

* Paysandu tem hoje a maior folha salarial da história do futebol paraense, em torno de R$ 2,2 milhões. Isso mesmo! Informação checada. Elenco e comissão técnica atuais são bem mais caros que daquele fabuloso Papão da Libertadores/2003. É outra época! O mercado do futebol atual é muito mais rico. 

* O Paysandu jamais pagou a qualquer dos seus grandes ídolos o que paga a Nicolas e Robinho, os salários mais caros, superados somente pelo Hélio dos Anjos. Importante observar que o clube está em equilíbrio financeiro, honrando compromissos e investindo na infraestrutura. É o período de maior bonança na vida do Papão.

* Remo terá 10 dias de intervalo do jogo de hoje para o próximo, contra o ABC, dia 26, em Natal. Esse período será importantíssimo para Rodrigo Santana ajustar o time. Também por isso, uma vitória sobre o Ypiranga criaria no Baenão uma atmosfera muito favorável à tão esperada decolagem.

Carlos Ferreira