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Entenda os riscos da automedicação com fitoterápicos e como usá-los com segurança

Remédios naturais são populares, mas seu uso sem orientação pode causar intoxicações e reações adversas

Jamille Marques | Especial em O Liberal

A automedicação é uma prática comum entre os brasileiros, que frequentemente recorrem a medicamentos sem prescrição médica para tratar sintomas diversos. Entre esses, os fitoterápicos, remédios de origem vegetal, são amplamente utilizados, muitas vezes sob a crença de serem completamente seguros por serem “naturais”. No entanto, especialistas alertam que o uso indiscriminado desses produtos pode acarretar sérios riscos à saúde.

Orientações dos Profissionais de Saúde

O farmacêutico Gabriel Giordana esclarece que, embora os fitoterápicos sejam de origem natural, eles não estão isentos de provocar efeitos adversos. “Assim como qualquer outro medicamento, os fitoterápicos possuem riscos de intoxicação. Eles são feitos à base de plantas, mas isso não elimina a possibilidade de reações adversas”, explica. Ele também destaca que, na farmácia, esses produtos são vendidos sem necessidade de receita médica, o que facilita o acesso e aumenta o potencial de uso inadequado.

O médico Arturo Gonçalves, também reforça essa preocupação, ressaltando que o uso inadvertido de fitoterápicos pode levar a reações alérgicas e mascarar doenças mais graves. “O maior risco é o uso sem orientação adequada. Algumas plantas têm propriedades conhecidas, mas outras não. Tratar uma condição com algo inapropriado pode não resolver o problema e ainda causar reações adversas”, alerta.

Regulamentação e Controle

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece que os fitoterápicos industrializados devem ser registrados antes de serem comercializados, garantindo sua qualidade, segurança e eficácia. No entanto, a venda livre desses produtos nas farmácias, sem a exigência de prescrição médica, facilita a automedicação e potencializa os riscos associados ao uso inadequado.

Recomendações para o Uso Seguro

Diante dos potenciais riscos do uso indiscriminado de fitoterápicos, o médico Arturo Gonçalves recomenda algumas precauções para garantir um tratamento seguro e eficaz. “Antes de iniciar qualquer consumo desses medicamentos, é essencial buscar orientação de um profissional de saúde qualificado, como um médico ou farmacêutico, que possa avaliar a real necessidade do uso e possíveis interações com outros medicamentos. Além disso, é importante verificar se o produto escolhido possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), garantindo que ele passou por testes de qualidade e segurança.”

O médico também explica que outro ponto fundamental é seguir rigorosamente as instruções de uso indicadas na embalagem ou prescritas por um profissional, evitando doses excessivas que possam levar à intoxicação. Caso ocorra qualquer reação adversa, como alergias, problemas gastrointestinais ou sintomas inesperados, o consumo deve ser interrompido imediatamente e um médico deve ser consultado. “Além disso, misturar fitoterápicos com outros medicamentos sem orientação profissional pode ser perigoso, pois algumas substâncias naturais podem potencializar ou reduzir o efeito de remédios convencionais, causando reações prejudiciais ao organismo.”

Ele também relata que a crença de que produtos naturais são sempre inofensivos pode levar à automedicação irresponsável e ao uso de tratamentos inadequados para certas condições de saúde. “Por isso, a melhor forma de aproveitar os benefícios dos fitoterápicos com segurança é utilizá-los de maneira responsável, sempre com acompanhamento profissional e considerando as necessidades individuais de cada paciente.”

Belém