‘Do lixo ao luxo’: desfile de fantasias recicláveis conscientiza estudantes no Jurunas
Projeto utiliza materiais recicláveis para promover educação ambiental através da arte e criatividade
Projeto utiliza materiais recicláveis para promover educação ambiental através da arte e criatividade
Na semana que antecede o Carnaval, estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental Honorato Filgueiras, no bairro do Jurunas, transformaram resíduos em arte no desfile de fantasias do projeto "Do Lixo ao Luxo, Honorato na COP 30". A iniciativa, realizada nesta terça-feira (25), utilizou materiais recicláveis para confeccionar trajes temáticos sobre poluição, energias limpas e a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 30, que será realizada em Belém em 2025.
Criado em 2017, o projeto une aprendizado e criatividade para sensibilizar os estudantes sobre questões ambientais.
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"A COP 30 vem dar um empurrão maior ao projeto, mas desde 2017 trabalhamos a educação ambiental dentro da escola. Além do desfile, exibimos vídeos sobre o aquecimento global, efeito estufa e o Acordo de Paris", explicou Wilma Falcão, idealizadora da iniciativa.
As fantasias são elaboradas com materiais como papelão, garrafas PET, tampinhas de garrafa, latas de alumínio e retalhos de tecido. O desfile é apenas um dos resultados desse trabalho, que ocorre ao longo do ano letivo. "Os alunos confeccionam as peças dentro da sala de aula. Eles aprenderam sobre a COP 30, pesquisaram sobre os temas e aplicaram os conhecimentos na criação das fantasias", complementou Wilma.
A criatividade dos estudantes foi um dos principais critérios na avaliação do desfile. "Analisamos criatividade, material utilizado e a mensagem transmitida. O mais impressionante foi ver como eles reutilizaram materiais altamente poluentes, como copos descartáveis e sacolas plásticas. O Carnaval gera muito lixo, e esse projeto ensina desde cedo a responsabilidade ambiental", afirmou Esmael Tavares, presidente da escola de samba Deixa Falar, convidado para julgar as fantasias.
Considerando, ainda, o acabamento e a fidelidade ao tema, os alunos que elaboraram as cinco melhores fantasias foram premiados com fones de ouvido. A estudante do oitavo ano Rosana Serra, 13, ficou em primeiro lugar e contou como foi a experiência de criar a fantasia.
"Usamos muita sacola plástica, papelão, anéis de latinhas e tampinhas de garrafa. Trabalhamos em grupo e a ideia da roupa veio da minha amiga Carla Maiana, que infelizmente não pôde estar aqui hoje. Demoramos três semanas para confeccionar tudo", relatou.
O impacto do projeto vai além da passarela. Segundo Lucila Leal, coordenadora pedagógica da escola, a proposta tem um caráter interdisciplinar e ajuda a formar pequenos pesquisadores. "Os alunos aprendem de forma lúdica e se tornam multiplicadores do conhecimento. Eles pesquisam sobre os temas, assistem a vídeos e criam suas próprias peças. Esse processo de conscientização ambiental é essencial para que desenvolvam atitudes sustentáveis desde cedo".
O desfile não é apenas uma expressão artística, mas um chamado para um futuro mais consciente. "Temos que reduzir, reciclar, recusar, repensar e reutilizar. Essa geração precisa crescer com essa mentalidade. O lixo que produzimos impacta diretamente o efeito estufa e o meio ambiente. A educação é a base para mudarmos isso", concluiu Wilma Falcão.