Dor de cabeça, dor de barriga, garganta inflamada. Esses são alguns problemas que, normalmente, as pessoas costumam tratar em casa mesmo, tomando algum remédio conhecido, como anti-inflamatórios ou analgésicos. Porém, por mais comuns que alguns medicamentos sejam, a prática de consumi-los sem a devida recomendação médica acaba acarretando em riscos para a saúde, como alerta a presidente do Conselho Regional de Farmácia do Pará, Dra. Carolina Heitmann.
“O uso inadequado pode acarretar vários riscos, como, por exemplo, ‘mascarar’ sintomas de alguma doença, causar reações alérgicas ou a toxidade do medicamento”, disse. “O uso inadequado, sem a orientação acompanhada também pode acarretar em dependência, ou até mesmo levar a óbito. Por isso, é essencial sempre buscar orientação médica ou farmacêutica antes de utilizar qualquer medicamento”, afirmou.
Ela explicou que, recentemente, uma pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) revelou que, no Brasil, 86% dos entrevistados admitiram tomar medicamentos sem orientação de um prescritor. O estudo também destacou que a automedicação é mais comum em casos de dor de cabeça, gripes, resfriados, febre e dores musculares.
A pesquisa também analisou que a internet facilita a automedicação, pois 68% dos entrevistados admitiram recorrer à rede para obter orientações sobre saúde. Os medicamentos mais usados por conta própria são os analgésicos, antigripais e relaxantes musculares, afirmou a doutora Carolina Heitmann. Ela deixou claro que nenhum medicamento pode usado por conta própria. “Inclusive, plantas e ervas podem ser prejudiciais se usados de forma incorreta”, disse.
Por isso é fundamental que, antes de utilizar qualquer medicamento, a pessoa procure um farmacêutico para obter a orientação adequada sobre o uso seguro e eficaz dos fármacos. “O farmacêutico é o profissional indicado para esclarecer dúvidas e orientar sobre o uso correto dos medicamentos, incluindo os de venda livre”, afirmou.
A farmacêutica Adriana Chaves disse que já atendeu pacientes com reações alérgicas após se automedicarem. Reações alérgicas são os casos mais comuns em pacientes que tomam medicamentos por conta própria. “É importante ter o acompanhamento do médico”, disse. Ela contou que é comum as pessoas chegarem à farmácia onde ela trabalha, no bairro do Marco, querendo se automedicar.
Às vezes, elas alegam demoraram para ser atendidas em hospitais e postos de saúde e, por isso, foram à farmácia para comprar os medicamentos que julgam ser os ideais para os seus sintomas. “Essa prática acaba acontecendo com muita frequência”, disse Adriana Chaves. “Há medicamentos que são isentos de prescrição e, nesse sentido, conseguimos auxiliá-los. Mas a grande maioria dos medicamentos precisa da prescrição médica. Então a gente orienta que a pessoa procure um posto de saúde mais próximo ou um hospital para que tenha realmente um acompanhamento com um médico, um especialista”, afirmou.
O gerente de compras Paulo Cesar Sprocatti, 53 anos, disse que se automedica quando apresenta sintomas que ele já conhece. “Uma dor de cabeça, uma alergia, remédios que a gente já conhece e já foram prescritos em outra ocasião”, contou. Mas afirmou que não toma remédio por conta própria quando tem algum sintoma desconhecido. “Nesse caso, eu vou ao médico para saber o que eu tenho”, afirmou. “Não vou tomar um remédio porque o vizinho falou que é melhor tomar e eu não tenho certeza se é o remédio correto”, contou.